quarta-feira, 29 de janeiro de 2025
EMILIA PÉREZ, UMA FANTÁSTICA OBRA CINEMATOGRÁFICA, OU UM GRANDE FIASCO DISCRIMINATÓRIO E DEPRECIATIVO?
O filme musical Emília Pérez, ópera dividida em quatro atos, tem causado polêmica, principalmente, por ser uma obra europeia, em língua espanhola, dirigida por Jacques Audiard, cineasta francês, com atores em sua maioria americanos, latino-americanos e espanhóis. Das quatro atrizes, que protagonizam o longa, só Adriana Paz é mexicana. Além disso, o cenário foi reproduzido em estúdio nos arredores de Paris, com algumas externas noturnas, no México, onde se passa a história ficcional.
O fato de um filme, contando uma história mexicana, mesmo que fictícia, representar a França nos festivais de cinema, pode parecer controverso, mas faz parte da decisão criativa do cineasta, que se inspirou no romance ficcional do francês Boris Razon de 2018, Écoute, que é ambientado no país da América do Norte.
O cinema é arte, porém também indústria, que como qualquer outra, segue os ditames comerciais e mercadológicos. Um longa, para ter uma grande projeção, como teve Emília Pérez, não dependeu somente da sua competência artística, mas, também, do marketing e do investimento de campanha. Talvez o diretor não tenha se aprofundado tanto, para tratar de um tema sensível, como a transexualidade, a violência criminal e o desaparecimento massivo de pessoas, pois se trata de ficção e não fatos reais. Audiard foi, também, criticado por estereotipar as transsexuais e banalizar a violência no país, responsável por 30 mil assassinatos anuais e mais de 100 mil pessoas desaparecidas, em sua maioria vítimas do narcotráfico.
Com tudo isso, não se pode dizer, com todas as letras, que seja um filme transfóbico, preconceituoso, tendencioso ou sensacionalista, como alguns pensadores, jornalistas e ativistas da comunidade LGBTQIA+ acreditam ser.
Jacques Audiard é um dos maiores e mais respeitados cineastas do cinema francês. Ele tem em seu currículo grandes filmes, todos falam de temas pertinentes a sociedade, como desigualdade, misoginia e xenofobia, principalmente, as que envolvem imigrantes ilegais. É improvável que um artista da categoria de Audiard, conhecedor das desigualdades e da contundência com que elas assolam as minorias, tenha produzido uma película que desumaniza uma sociedade desfavorecida como a da população do México.
Inclusive três de seus filmes: Ferrugem e Osso (2012), Dheepan: O Refúgio (2015) e Paris 13º Distrito tratam de assuntos de caráter social. Os dois primeiros, especificamente, são relacionados àqueles que migram de suas regiões de origem e encontram as dificuldades de imigrantes, em sua maioria ilegais. Já o terceiro é um filme com temática LGBTQIA+ (ou LGBTQIAPN+), para ser mais exato.
A escolha do casting de Emília Borges, foi o maior alvo dos críticos, que alegam ser absurdo um filme que fala sobre o México (vale ressaltar, um Mexico ficcional), não ter como personagens principais, mexicanos, e sim americanos, latino-americanos e europeus. Comercialmente, provavelmente, ele tenha selecionado o elenco com base em seu apelo comercial. Zoe Saldaña é americana de ascendência porto-riquenha e dominicana, Selena Gomez também natural dos EUA é filha de pai mexicano e Adriana Paz é a única que nasceu no Mexico, mas iniciou sua carreira artística na Espanha. Já a atriz trans Karla Sofia Gascón é espanhola, mas a sua carreira despontou a partir de 2009 no México nas séries Corazón Salvage (2009) e El Señor de los Cielos (2013). Em 2013 fez sua estreia no cinema com o sucesso Los Nobles – Quando os Ricos Quebram a Cara. Das quatro atrizes, duas, Saldaña e Gomez, são estrelas de Hollywood. Sendo assim, a escolha do elenco seguiu, com finalidade comercial, em busca do reconhecimento internacional, principalmente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Academy of Motion Picture Arts and Sciences). Enfim, a seleção do elenco dificilmente tenha seguido um padrão discriminatório e preconceituoso, e, sim, a experiência e a projeção comercial de cada atriz.
“Selena e Zoé lhe dão uma dimensão comercial, não há como negar”, disse Audiard em Bogotá, quando questionado pela Agence France-Presse (AFP) em uma entrevista sobre os poucos mexicanos no elenco. Além disso, a escolha de Karla como protagonista foi elogiada pela crítica especializada. Fora a excelente atuação, levou-se em conta, o fato de ela ser uma mulher trans e não uma pessoa cisgênero sendo escalada para interpretar uma personagem trans. Quando isso acontece, há muitas críticas, como no fim do ano passado, na segunda temporada da série sul-coreana Round 6.
Outro apelo, que pode parecer coerente, mas ao mesmo tempo descabido, é o fato de ser uma película que dá prerrogativas para transfobia. Tanto Karla, quanto Audiard, que recentemente vieram ao Brasil para promover o longa, já se pronunciaram dizendo que se trata de uma fábula ou opereta ficcional e que, portanto, não retrata realisticamente as condições sociais da nação mexicana. O que se vê e o que se ouve de jornalistas, de algumas organizações da comunidade LGBTQIA+, e, também, de incautos, principalmente, nas redes sociais, meio por onde viralizou as críticas, são análises sociológicas e antropológicas, que afirmam o caráter estereotipado da mulher trans, correlacionando-a ao submundo. A obra narra a história de uma narcotraficante que quer se redimir da vida de crimes, e, finalmente, fazer a cirurgia de redesignação sexual. Os críticos da obra interpretaram a transição da personagem, como mera tentativa de mudança de identidade, ou disfarce para escapar do passado de chefe do tráfico. Em defesa Audiard afirmou que sua protagonista sempre desejou ser mulher, mesmo, quando, era chefe do narcotráfico.
Karla, quando leu o roteiro comentou das suas primeiras impressões sobre a narrativa, pedindo que o roteiro tivesse mais nuances ao representar a experiência trans. Hoje, ela é uma das maiores defensoras do filme. Segundo ela: “infelizmente, as redes sociais se tornaram, para muitos, um instrumento a serviço da escuridão, onde imperam os insultos, a violência, o ódio, a mentira e o assédio. Tem muito blogueiro que se acha especialista e muitos gatos que acham que sabem de cinema, quando o que sabem é arranhar. Então, o que posso dizer? Quem não gostar, que vá ver outra coisa no cinema. A maioria do público sai emocionadíssima em todos os países."
As reprovações mais contundentes vieram da ativista Artemisa Belmonte: “O filme banaliza o problema dos desaparecidos no México”, lançando uma petição no site change.org, para se opor ao lançamento do filme (11.100 assinaturas desde 9 de janeiro), e do escritor Jorge Volpi no diário El País: “É um dos filmes mais grosseiros e enganosos do século XXI”, escreveu ele. Volpi também destacou o “terrível” sotaque de Selena Gómez, irritante para a fibra nacionalista dos mexicanos. A partir daí, disseminaram-se, equivocadamente, nas redes sociais um número descabido de ódio à produção e à atriz Karla Sofia Gascón. Em entrevista, ela pede ajuda a Fernanda Torres, que juntas concorrem ao Oscar de melhor atriz: “Fernanda, por favor, um abraço. Te amo muito. Me ajuda com essa galera." O pedido, realizado em entrevista ao G1, durante passagem pelo Brasil, para promover seu filme, é feito com o bom humor de uma artista que vive o melhor momento de sua carreira, apesar dos ataques. Fernanda Torres se pronunciou em defesa de Karla: “Nesse ano no Oscar, as escolhas que eles fizeram para atriz são tão especiais, cada uma a sua maneira, todo mundo merece. Todo mundo ganhou, não vamos tratar ninguém mal pelo amor de Deus. Eu sou para sempre grata à Sofia Gascón, ela está maravilhosa no Emilia Pérez. Demi Moore me mandou uma mensagem pessoal antes do Globo de Ouro, uma mulher de um carinho [...] Cinthya Erivo, meu Deus, aquela deusa, indicada pela segunda vez. Mikey Madison! Quem viu Anora aqui? Tem que ver, essa mulher está incrível! Então o que eu quero dizer é que todo mundo ali merece, e merece o carinho da gente, não vamos alimentar ódio. E quero dizer: Karla Sofía Gascón, te amo para sempre. Uma mulher generosa, talentosa, que merece da gente todo nosso carinho", disse a atriz.
Assim como no filme, Karla tem uma família, sua esposa, Marisa, que conheceu aos 19 anos e a filha do casal, atualmente com 13 anos. Em maio de 2024, ela ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por seu papel no filme. Ela foi a primeira mulher trans a ser reconhecida na história do festival, e dedicou o prêmio a todas as pessoas que passaram pela transição de gênero e que, como ela, "sofrem ódio todos os dias".
O longa também foi vencedor do Globo de Ouro, desbancando o brasileiro Ainda Estou Aqui. Em contrapartida, Fernanda Torres levou o Globo de Ouro de melhor atriz.
Apesar de todas as críticas negativas, alguns profissionais da classe saíram em defesa do longa, como o cineasta canadense Denis Villeneuve, diretor de Duna e Duna 2, e a atriz americana Meryl Streep, que é uma ativista dos direitos humanos. Eles elogiaram a originalidade e a coragem do filme. Guillermo del Toro, diretor mexicano ganhador de três Oscars, disse que o filme é lindo. Para ele, Jacques Audiard é um dos cineastas mais incríveis da atualidade.
A trilha sonora, composta por Camille e Clément Ducol, foi igualmente elogiada pela crítica, principalmente pela inventividade. As coreografias e arranjos pouco pomposos, mas orgânicos, também chamaram a atenção.
Outro defensor foi o crítico do jornal Milenio, Álvaro Cueva. “Se os grandes mestres do cinema, como Federico Fellini e Luis Buñuel, estivessem vivos, esse é o tipo de filme que eles fariam”, resumiu ele.
Para todos os efeitos, o filme já provou ao que veio, com indicações nos principais festivais de cinema do mundo, recebeu premiações em alguns deles, sendo um dos mais indicados ao Oscar este ano: 13 estatuetas. As críticas, que depreciam a obra, deveriam ser reavaliadas, pensando no valor que elas podem ter para a comunidade LGBTQIA+. Elas podem ser consideradas, por alguns, exacerbadas e prejudiciais, para esta minoria, que vem sendo muito bem representada, não por Emilia Pérez, e, sim, pela primeira atriz trans a concorrer ao Oscar: Karla Sofia Gascón.
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Fontes:
SOTO, Cesar. Alvo de ódio de brasileiros, Karla Sofía Gascón, de 'Emilia Pérez', pede a Fernanda Torres: 'Me ajuda com essa galera'. G1 POP & ARTE. Cinema. 24 de janeiro de 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/cinema/noticia/2025/01/24/alvo-de-odio-de-brasileiros-karla-sofia-gascon-de-emilia-perez-pede-a-fernanda-torres-me-ajuda-com-essa-galera.ghtml
Acesso em: 26 de janeiro de 2025.
PINTO, Flávio. “Emilia Perez”, filme com Selena Gomez, vai representar a França no Oscar 2025. CNN Brasil. 19 de setembro de 2024. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/emilia-perez-filme-com-selena-gomez-vai-representar-a-franca-no-oscar-2025/
Acesso em: 26 de janeiro de 2025.
Quem é Karla Sofía Gascón, primeira atriz trans indicada ao Oscar. BBC NEWS Brasil. São Paulo, 23 janeiro de 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg9wlz1v39o.amp
Acesso em: 26 de janeiro de 2025.
BRAULIO, Lorentz. Emilia Pérez, ame ou odeie: como rival de Ainda Estou Aqui no Oscar foi de queridinho da crítica a filme mais zoado do ano. G1 POP & ARTE. Cinema. 16 de janeiro de 2025.
Disponível em: https://g1.globo.com/google/amp/pop-arte/cinema/noticia/2025/01/16/emilia-perez-ame-ou-odeie-como-rival-de-ainda-estou-aqui-no-oscar-foi-de-queridinho-da-critica-a-filme-mais-zoado-do-ano.ghtml
Acesso em: 28 de janeiro de 2025.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2025
O GESTO DE MUSK E A EFETIVIDADE DAS POLÍTICAS DE TRUMP
Intencionalmente, ou não, o gesto “sieg heil”, ou saudação nazista de Elon Musk, na cerimônia de posse do presidente dos EUA, Donald Trump, foi celebrado por neonazistas e extremistas de direita nas redes sociais. O mais grave no simbolismo é o que ele representa efetivamente.
As “políticas” de imigração, que começam a ser anunciadas por Trump, seguem conceitos semelhantes aos de eugenia, criados pelo inglês Francis Galton, no final do século XIX.
No período entre Guerras, de 1918 a 1939, movimentos eugenistas, inclusive apoiados por intelectuais e pensadores de renome, se espalharam por vários países da Europa, da América, inclusive no Brasil.
Trump, no seu primeiro dia de mandato, assinou medida que proibe a naturalização automática de filhos de imigrantes ilegais em território americano. Governadores entraram na Justiça para tentar derrubá-la. Algumas semelhanças, entre as características descritas abaixo, com as políticas de imigração anunciadas por ele, devem ser só uma mera coincidência, ou pura paranoia, não é mesmo?
Três características da eugenia:
1. No início do século 20, os defensores da eugenia culpavam a biologia por problemas sociais como pobreza e criminalidade. Acreditavam que essas características ruins eram passadas de pais para filhos.
2. A eugenia estabelecia a diferenciação entre dois grupos: o grupo das pessoas “adequadas” e o das “inadequadas”. Os próprios defensores desta teoria definiam quem se encaixava em cada grupo.
3. Ela propunha medidas para “melhorar” a população. Também incentivava as pessoas “adequadas” a terem mais filhos, enquanto limitava a reprodução daquelas consideradas “inadequadas”. O objetivo era que, com essas medidas, a população em geral ficasse “mais forte e inteligente”.
Justificando, que as medidas populistas de natureza xenófoba, racista e preconceituosa são para o bem da nação, seus detentores, por meio de seus discursos e simbolismos, persuadem a sociedade, fazendo muitos acreditarem, que são meios efetivos, para resolver os problemas da desigualdade social. Isso só foi possível, por conta das novas tecnologias digitais, usadas como ferramentas de doutrinação e manipulação, nunca vistas na história da humanidade. De todas as mídias existentes, nenhuma delas é tão ameaçadora e destrutiva, como a digital, quando usada com objetivos espúrios, como tem sido feito pela comunicação dos populistas de extrema direita.
O que está acontecendo é um retrocesso gigantesco e genocida, que cidadãos, levados pelo conservadorismo e conceitos de extrema direita, apoiam, por não se darem conta, ou por não acreditarem na gravidade das suas consequências nefastas.
Fontes:
INVIVO/ Museu da Vida:
http://surl.li/vcbzrq
G1 MUNDO:
http://surl.li/xmxgev
quinta-feira, 9 de janeiro de 2025
A relação entre as imagens de Airton Senna e Fernanda Torres
Airton Senna, tricampeão mundial de Fórmula 1, morto em maio de 1994, teve sua primeira aparição no grande prêmio do Brasil, no Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, no início dos anos oitenta.
Em 15 de janeiro de 85, o Brasil vivenciava a transição democrática, com a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, com 480 votos, contra 180 do candidato do PDS, Paulo Maluf. Com o falecimento de Tancredo, em 21 de abril de 85, assumiu a presidência o até então vice José Sarney. Em 28 de fevereiro de 86, Sarney anunciou o plano Cruzado, com o Ministro da Fazenda Dilson Funaro, com o objetivo de combater a inflação, que chegava a 517%. O plano de estabilização inicialmente bem-sucedido, pois a inflação caiu consideravelmente, fracassou no final de 86, chegando no primeiro bimestre de 87 a 337%.
Mesmo que parte da população brasileira tenha encontrado meios para sobreviver e manter o consumo básico, durante a inflação galopante, a realidade para a maioria era de extrema pobreza. A recém extinta ditadura militar maquiava ou manipulava pesquisas que quantificassem o tamanho da fome.
"Dados do IBGE, coletados nos anos de 1974 e 1975, apontavam que 67% da
população passava fome. Em 83, o documento Genocídio no Nordeste estimava a
morte de 700 mil pessoas na região por causa da falta de comida. A carestia
impulsionava a organização de movimentos populares, mas também fazia crescer
reações desesperadas entre as famílias."
Neste contexto, transição democrática, com elevadíssima taxa de fome e pobreza, eis que surge Airton Senna, personalidade que com os discursos e simbolismos midiáticos, transformou-se em herói brasileiro, com a responsabilidade de suprir a nação daquilo que ela mais necessitava: representação.
Em todas as manhãs de domingo, o povo deixava as suas peculiaridades mais bizarras de lado, para acompanhar o seu grande ídolo. A sociedade do espetáculo, obra de Guy Debord, mostrava-se em sua completude. As cores de nossa bandeira representavam o espetáculo, e não as máculas de um país sofrido, causadas por interesses políticos e econômicos espúrios. Sequestros e assassinatos de um passado recente eram velados com lágrimas de contentamento, para se esquecer das insuficiências de um país empobrecido.
Fernanda Torres, com a conquista do Globo de Ouro representa e simboliza, o contrário, aquilo que camufla e esconde o passado, aquilo que é negligenciado pelas luzes do grande show da mídia.
O filme Ainda Estou Aqui, protagonizado por Fernanda, é uma pancada, um marco no cinema brasileiro, de grande importância histórica e política para o nosso país.
Esclarece a tantos desinformados, e a muitos que não vivenciaram o regime, a gravidade e as consequências de uma ditadura, que perduram até hoje.
Mesmo vivendo num regime democrático, os recentes e atuais acontecimentos, nos mostram a ascensão da extrema direita e que os ideais conservadores voltaram a fazer parte da nossa realidade, mesmo depois de tanto atraso, sofrimento, injustiça e indignação.
Como após 21 anos de ditadura, ainda podemos ter no país adeptos e simpatizantes da extrema direita?
Claro que, os mais esclarecidos sabem que os discursos e significados mentirosos, porém muito bem direcionados pelos conservadores nas mídias digitais, por inércia e falta de regulamentações, são os responsáveis, com a ajuda dos algoritmos, pelo poder de convencimento e engajamento de milhares de cidadãos.
Como dito por Gilberto Maringoni da revista Cult: "ganhou Fernanda Torres, ganhamos todos nós, em tempos de desesperança. Ganhou a atriz excepcional que resgata nesta obra prima as denúncias de arbítrio, sequestros e assassinatos. Ganhou Marcelo Rubens Paiva. Ganharam os protagonistas e o diretor de um filme profundamente nacional, que mostra nossas mazelas, nossas disputas e as sombras que cobrem o presente.”
A imagem de Airton Senna obliterava a visão da realidade, diluía a gravidade em que vivia o povo brasileiro, na homogeneidade do espetáculo. Fernanda, com a sua atuação orientada pela narrativa, esclarece e critica com contundência, a gravidade da negligência e do esquecimento. Com a desmistificação dos símbolos, fechamos as cortinas e conseguimos ter um maior discernimento daquilo que é dissimulado pela tendenciosidade e sensacionalismo do espetáculo.
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Fonte: LACERDA, Nara. Como era viver no Brasil da inflação descontrolada dos anos de 1980. Brasil de Fato. São Paulo, 18 de agosto de 2022. Disponível em:
Acesso em: 07 de janeiro de 2025.
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