domingo, 1 de março de 2020

Podemos considerar Bolsonaro e Hitler como figuras análogas?

A comparação que vem sendo feita entre Hitler e Bolsonaro, e que se transformou em meme nas redes sociais, não é um exagero, sátira ou hiperbolização da esquerda, e sim uma comparação adequada. 
O primeiro mesmo que tenha sido muito mais insano, pelo crime que cometeu contra a humanidade, e com toda sua insanidade, não era tão inculto e destituído de inteligência como o segundo. Mesmo com  a diferença, não podemos deixar de considerar alguma semelhança nos discursos desses “lideres” atrozes, que não é mera coincidência, como a destacada abaixo:

“Hoje, os cristãos estão à frente deste país. Prometo que nunca me ligarei a partidos que querem destruir o Cristianismo. Queremos reencher nossa cultura de espirito cristão. Queremos queimar todos os recentes desenvolvimentos imorais na literatura, teatro e imprensa, enfim, queremos queimar o veneno da imoralidade que surgiu em nossa vida e cultura pela abundância liberal do passado.” Adolf Hitler (The Speeches of Adolf Hitler, April 1922 - August 1939. Oxford University Press.)


Para mim, quem continua defendendo uma figura psicótica, como foi a do regime nazista, está sendo complacente com o fascismo, e com a possível instauração de uma ditadura. 

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A ESQUERDA HIPERBOLIZADA

É fato que estamos passando por um dos piores momentos da nossa história: esta conjuntura antidemocrática que beira ao facismo. Isto de forma alguma é uma hipérbole, mas a questão levantada nos últimos dias, com relação ao uso de certas fantasias de carnaval, pois elas podem ser consideradas estandartes para o preconceito, é um exagero da esquerda. Não podemos dar munição para os opositores da extrema direita, por meio de um erro crasso.
A festa dos próximos dias deve ser entendida como uma inversão e ironia dos signos nacionais, e não como símbolo de desrespeito aos nossos valores. 


A ironia e a brincadeira carnavalesca com o indígena, por exemplo, devem ser vistas como uma homenagem a nossa ancestralidade, e não como sinal de desrespeito ou bandeira política contra a oposição. 





MANIFESTO DE REPÚDIO


Ter Bolsonaro como governante é uma das maiores afrontas que uma democracia pode suportar. Como podemos aceitar um machista, xenófobo, homofóbico, racista, com todos esses tipos de preconceito arraigados, como presidente da República. 
Nunca na história democrática tivemos um “líder” tão indolente que não respeita, que ataca as pessoas e as instituições sem qualquer limite de moralidade, que transgride os direitos humanos e o Estado de Direito. 

Para mim, quem continua defendendo uma figura psicótica e insana, como foi Hitler - e isso não é uma hiperbolização, e sim uma comparação adequada -, está sendo complacente com o fascismo, e com a possível instauração de uma ditadura. 
Não dá mais para viver na cegueira, a situação não é grave, é desesperadora.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Bolsonaro, o fantoche do marketing político



É disto que os emissores de discursos e mensagens se utilizam: pegam uma coisa vazia e a preenchem, utilizando-se da metalinguagem, criam novos signos que são disparados para a opinião pública. Não é uma questão de ideologia, mas de transmissão de simbolos e significados. A extrema direita conseguiu criar um discurso extremamente eficiente para seus objetivos. Pegaram a imagem de uma figura (Bolsonaro) sem relevância política e a impregnaram de significados persuasivos que a projetou do anonimato. Devido aos diversos golpes que a esquerda vinha tomando, de acordo com os seus supostos envolvimentos com corrupção, ela foi perdendo sua força junto aos escândalos envolvendo algumas empresas privadas, todos os fatos, extremamente, potencializados pela mídia. Ai entra o jogo do poder que se utiliza de estratégias espúrias, porém muito eficazes, para afastar todas os ideais socialistas. Fortalecer fundamentos religiosos foi uma delas. Nada melhor, para uma sociedade, quase que toda cristã, do que um candidato cristão e militar para arrumar a barafunda do país. Após isso, iniciou-se um grande marketing de guerrilha, disseminando nas mídias digitais uma série de informações manipulativas, as famosas fake news, apoiando a ditadura militar, como um regime que propiciou um excelente desenvolvimento econômico de inclusão sem corrupção. Muitos foram ludibriados com essas persuasões e passaram a acreditar neste fantoche da extrema direita. Enfim, formou-se assim uma democracia sem voz, governada por um mandatário também sem voz, conservador, preconceituoso, ignorante, inculto, que se comunica com a sua nação por meio das mídias digitais.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A filosofia e a sociologia como meios de individuação e transgressão

Como dizia a pensadora e filósofa política Hannah Arendt, vivemos um TOTALITARISMO INVISÍVEL, que, a cada dia, fica mais escancarado, ou melhor, visível, pelo menos, para aqueles que têm senso crítico, visão humanística e dialógica do mundo. Estamos deixando “O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA”, para a prática efetiva dela.
O governo pretende deixar de investir nas cadeiras catedráticas de Filosofia e Sociologia, pois elas formam seres humanos resistentes que adquirem senso de individuação, e contestam a “moral” e os “direitos estabelecidos”. Parece que estamos voltando a época, que aqueles que eram contra o poder vigente era visto como transgressor e subversivo. O que precisamos hoje são de seres humanos mais subversivos e menos subservientes.

O principal objetivo dessa conjuntura é formar seres técnicos e autômatos, que tenham uma visão limitada, ou seja, despojados de senso crítico e desenvolvimento humanista, sendo mais fácil manter a subserviência e a administração do desejo de sublevações.
A antológica visão transgressora e progressista do Jung é bem conveniente para o momento que estamos passando. Ele diz que o inconsciente é um "outro" que se apresenta no decorrer da vida. Reconhecer e dar a palavra a esse outro é individuar-se, não isolar-se. Nesse processo, questões éticas e morais terão de ser enfrentadas, pois, ao entrar no processo, a pessoa deixa de se submeter obrigatoriamente aos ditames sociais, culturais, patrióticos, ou qualquer coisa que possa ser vista como regra moral, desenvolve uma ética própria, que pode ser contrária à moral vigente. 


Por exemplo, uma mulher muçulmana que vive em um ambiente fundamentalista pode querer exercer seu pensamento e pode desenvolver valores próprios quanto ao vestir-se ou ao comportar-se socialmente.
Esse abandono das regras vigentes tem um preço. Algo precisa ser dado em troca, e é nesse lugar que Jung afirma a importância do indivíduo. Só ele cria novos valores, só ele destrói valores ditatoriais que são aceitos por todos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

A evolução dos media: meios de inovação e desumanização




A arte de se comunicar, desde que essa surgiu, foi precedida por uma técnica. No decorrer de milênios essas técnicas evoluíram. Do ponto de vista técnico ou tecnológico há uma evolução que tem grande valoração no âmbito da utilização e “progresso” na vida dos indivíduos, como forma de facilitar e modernizar os processos de vivificação. 

Mas se analisarmos e investigarmos no âmbito humanístico, da historicidade, do seu caráter dialógico, a técnica não tem a mesma valoração e equivalência que seus traços progressistas apregoam no campo das ideias, pelo contrário, quanto mais se aperfeiçoam as técnicas, mais característicos são seus traços alienantes e manipulativos. Sendo assim, quanto mais se evolui a técnica, mais se desumaniza o indivíduo. 

Perpassam séculos, décadas e o conteúdo do discurso continua o mesmo, o que muda é a técnica ou a tecnologia de difusão, que afasta ainda mais o homem da natureza dos fatos. No campo da evolução tecnológica, os eventos podem ter um grande valor na evolução da técnica, mas podem não ter a mesma valoração e equivalência no campo humanístico e das ideias. 

Para mim, estes pensamentos continuam a fazer todo o sentido: 

 “O homem é um animal bastante manso e divino se amansado por uma verdadeira disciplina, se não receber disciplina falsa, será o mais feroz dos animais que a terra pode produzir” Comenius 

Segundo Roland Barthes, o discurso mitológico, não nega as coisas; a sua função é, pelo contrário, falar delas; simplesmente, purifica-as, inocenta-as, fundamenta-as em natureza e em eternidade, dá-lhes uma clareza, não de explicação, mas de constatação. Passando da história à natureza, faz uma economia: abole a complexidade dos atos humanos, confere-lhes a simplicidade das essências, suprime toda e qualquer dialética, qualquer elevação para lá do visível imediato, organiza um mundo sem contradições, sem profundeza, um mundo plano que se ostenta em sua evidência, e cria uma afortunada clareza: as coisas, sozinhas, parecem significar por elas próprias. 

A técnica ou tecnologia não é determinista, mas é criada e desenvolvida junto a um processo cultural e educativo homogêneo que doutrina, automatiza e condiciona o individuo. A humanidade não evolui analogamente junto à técnica ou à tecnologia. A técnica nasce dentro de uma cultura que não acompanha a sua evolução. Existe formação técnica, mas pouca educação política, histórica, humanística e dialógica. Não se desenvolvem seres pensantes e críticos, e sim, autômatos. 

Sendo assim, o indivíduo continua como extensão de suas criações. No mundo digital não é diferente, continuamos utilizando a tecnologia de forma alienante, esquecendo-se do seu viés humanístico e integracionista, potencialidade que não é aproveitada, pois vivemos numa sociedade doutrinária, enrijecida para o dialogismo. 

Como diz Manuel Castells: “a evolução tecnológica, desencadeada pela engenhosidade humana, levou a sociedade à submissão e ao automatismo, fugindo do controle de seus criadores”. 
Não culpo o desenvolvimento tecnológico, mas é fato que a educação, a cultura, a forma humanística e dialógica de nos comunicarmos não evolui analogamente à técnica. A tecnologia ou a técnica surge dentro de uma cultura, que não consegue acompanhar humanisticamente a evolução do objeto. Assim, enquanto, gênios da tecnologia aceleram a evolução, os não gênios (vou chamar delicadamente de ignorantes, somente por limitações cognitivas) demoram muito mais tempo para evoluir. 

Pensando assim, o que poderia ser feito é acelerar as formas de educação e humanização. Formar mais gênios humanistas do que técnicos. Ou pelo menos equilibrar. Mas é impossível, ou melhor, inviável, para o poder que manipula as instituições disciplinares e educativas, que se opere dentro do organismo social procedimentos que erradiquem a ignorância e desperte a consciência e a capacidade de pensar e criticar dos indivíduos, levando-os a desbaratar toda a forma de construção de poder e dominação das massas. 

A evolução cultural jamais alcançará a tecnológica, pois se assim fosse, desconstruir-se-ia toda uma aparelhagem ou teia de poder, que é mantida por uma espécie de “Totalitarismo Invisível”. Constrói-se um discurso que nos leva a pensar em liberdade, quando na verdade continuamos presos pela teia de significados que nos é submetida. Recepcionamos a mensagem como querem que absorvamos, e continuamos a conceber a evolução tecnologia, ao mesmo tempo, que não percebemos a inércia dialógica e humanística. A tecnologia evolui, mas os discursos ditados por ela continuam os mesmos. 

Respondemos à reprodução da sofisticação do mesmo, mantendo nossa espécie a deriva. Submetemo-nos a transmissão cultural que nos mantem estúpidos. Enfim, a educação, a cultura não formam seres humanísticos e dialógicos, como a tecnologia cria seres técnicos. Desta forma ela continuará servindo, exclusivamente, como ferramenta de doutrinação e alienação, bem manejada por aqueles que detêm a condução dos discursos.

quinta-feira, 16 de março de 2017

CDQ - Cultura da Dependência Química

Estive na Cracolândia, na Rua Dino Bueno, próxima a Estação da Luz.
Como jornalista, senti a necessidade de mostrar a opinião pública, a verdadeira realidade dessa feira da destruição, que não é mostrada pelos meios de comunicação tradicionais. Lá, a rua é fechada, têm bares e hotéis (para o consumo da droga). E o mais impressionante: barracas com toldos armados, como as feiras tradicionais, onde, ao invés de alimentos, vendem-se pedras de crack, pesadas ao gosto do freguês. É um número incontável de pessoas que transitam por ali, esbarrando-se e comerciando do lado de fora dá feira; alimentos, bebidas alcoólicas e pertences pessoais, quando não mais resta dinheiro. Há os cigarreiros, os cachaceiros que trocam um cigarro ou um gole de cachaça por um trago dá substância. Ouve-se os berros: Cigarreiro! Cachaceiro! Quem tem cinza! (material indispensável para o uso do crack). Lá tudo é moeda de troca: roupas, celulares, notebooks, acessórios.

Caixas de som estridentes recitam os poemas de hip hop de decadência e criminalidade. As pessoas transformam-se em zumbis. E a sociedade vira as costas para isso. Essa minoria sofre de uma doença, considerada assim pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Precisamos apoiar as ONGs e as instituições que atuam como agentes multiplicadoras da reinserção social. Dá para contar nos dedos quantas instituições trabalham para a realização desse ato humanitário. Precisamos disseminar a cultura de recuperação.








No mundo, são diversas as minorias que foram descriminalizadas. Cada uma delas, ao seu tempo, vêm conquistando direitos, cada vez maiores. Nesta masmorra, não há diferenciações culturais, de classes ou minorias. Lá há médicos, dentistas, advogados, professores, jornalistas, trabalhadores de todos os segmentos, grávidas, crianças e adolescentes, homossexuais, transexuais, desempregados, ex- presidiários e outros. Nunca vi tanta diversidade que permanece em constante conflito devido à irracionalidade a que leva o crack. Enfim, todos,que ali estão, têm uma história para contar. Todos são seres humanos como nós.