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terça-feira, 9 de abril de 2024

“SUPERINDÚSTRIA DO IMAGINÁRIO” POTENCIALIZA E ALIMENTA A “BANALIDADE DO MAL”

A HUMANIDADE VIVENCIA A POTENCIALIZAÇÃO DA “BANALIDADE DO MAL” DISSEMINADA E ALIMENTADA CONSTANTEMENTE PELA “SUPERINDÚSTRIA DO IMAGINÁRIO”. Em 1963, foi lançada a obra Eichmann em Jerusalém, escrita pela filósofa política Hannah Arendt. Nela ficou conhecido o conceito de “banalidade do mal”, concebido graças a sua erudição e potencialidade. Como jornalista da revista The New Yorker, ela acompanhou, nos meses de fevereiro e março de 1963, o julgamento de Adolf Eichmann, oficial da Gestapo, durante o holocausto, e um dos principais responsáveis pela morte de milhões de judeus no campo de concentração de Auschwitz. O conceito desenvolveu-se com a observação da mediocridade do réu, que estava pronto a obedecer a qualquer voz de comando, revelando a sua ignorância e sua incapacidade de discriminação moral. Sendo assim, os clichês e os eufemismos do Terceiro Reich o influenciavam e evidenciavam a sua incapacidade de fazer qualquer coisa que não fosse técnica e burocraticamente ligado a seu trabalho, a sua capacidade de negligenciar o mal, a mediocridade do não pensar personificados e alinhados ao sujeito demente e demoníaco. Com essas observações, Arendt definiu este tipo de comportamento como “banalidade do mal”. Pode-se observar a transposição e a potencialização deste pensamento para os dias de hoje. A forma continua a mesma, o que muda é o conteúdo da mensagem e a técnica responsável pela sua transmissão. Na época do nazismo, a mentira que mais serviu como mensagem-chave foi: “a batalha pelo destino do povo alemão”, cunhada por Hitler e Goebbels que tornou mais fácil o auto-engano dos cidadãos alemães sob três aspectos: “sugeria em primeiro lugar que a guerra não era guerra, em segundo que foi iniciada pelo destino e não pela Alemanha, e, em terceiro, que era questão de vida ou morte para os alemães, que tinham de aniquilar seus inimigos (principalmente, os judeus) ou ser aniquilados.” A lógica particular e subjetiva do discurso facista de hoje segue uma linha semelhante: convence, principalmente, a classe média, de que a ascensão das minorias é uma ameaça ao bem estar da sociedade, que se resume, àqueles que estão no topo da pirâmide, ou seja, nos andares de cima do edifício social. A propaganda nazista era transmitida principalmente pelo rádio e pelo cinema. Os signos eram criados e imediatamente recepcionados pela opinião pública, que aderiu ao discurso, permitindo ao regime dar cabo a uma das maiores atrocidades da história: a execução de seis milhões de judeus. Hoje, diferente daquela época, a mensagem deixa de ser massificada e uniformizada, para se propagar em forma de nichos, por meio das mídias digitais, que se aproveitam da ignorância, da mediocridade do não pensar, tornando a realidade uma confusão, minando completamente o senso crítico dos cidadãos. O processo de disseminação das mensagens é diferente das mídias tradicionais. Na era da televisão, por exemplo, havia um entendimento compartilhado da realidade que nos cerca. O discurso estava concentrado nas mãos de poucos. As novas mídias, diferentes das mídias tradicionais, transformaram todos os cidadãos em formadores de opinião. A comunicação se tornou mais rápida e sem o intermedio dos comunicadores (jornalistas, apresentadores, ancoras) e filtros tradicionais. Na busca por audiência, ao invés de uniformizar ou massificar o público, nas plataformas digitais, os algoritmos têm a tendência de dividi-lo e filtra-lo em nichos ou grupos, veiculando discursos que acentuam esta divisão. Percebendo essa tendência, mesmo que de modo não intencional, a maneira como os algoritmos funcionam favorece a difusão de conteúdos que opõem um grupo a outro, pois são essas as mensagens que geram mais engajamento. Nesse processo, o “mundo comum” se fragmenta. A comunicação deixa de ser de massa e passa a ser feita por nichos, seguindo uma nova lógica. Essa lógica acabou segmentando a sociedade, polarizando-a, por meio de mensagens-chave falaciosas (fake news), disseminadas por novas personalidades. As personalidades que dominavam a lógica do rádio e da televisão, não são mais exclusivas, hoje elas dividem espaço com uma nova espécie típica das novas mídias: o influencer. Este não tem o mínimo cuidado com posicionamento ético, apuração e investigação, não se preocupa com a verdade factual. A mídia tradicional responsável pela veiculação e regulação da verdade se vê ameaçada pelas mentiras disseminadas nas redes sociais, que passam a ser mais críveis que a verdade. Alguns grupos e influencers enaltecem a mentira e descartam qualquer verdade que possa abalar suas ideologias. Assim explica-se a influência e a ascensão da extrema direita em todo o mundo. O poder de convencimento e manipulação, por meio do domínio das redes digitais, explica a polarização da sociedade nos dias de hoje. Isso só foi possível, pois os novos comunicadores (influencers) descobriram que poderiam se beneficiar da “Superindústria do Imaginário”, expressão criada por Eugênio Bucci, professor tilular da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), para se referir as gigantes da internet ou big techs, como Facebook, Instagram, Google e X/Twitter. Por meio delas, esses influencers conseguem direcionar suas mensagens com mais facilidade e exatidão aos targets ou públicos de interesse. Pelos algoritmos, identifica-se as preferências, direcionando ao receptor, que teve sua subjetividade manipulada, a mensagem-chave, que o manterá a serviço do emissor. Hoje, semelhante à Eichmann e ao povo alemão, os cidadãos têm a sua ignorância e falta de senso crítico potencializas e alimentadas pela “Superindústria do Imaginário”.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação da Mídia

O linguista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:






1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.




O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')”.


2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.



Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.


3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.


Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.
5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

QUANTO MENOR A INTERMEDIAÇÃO, MAIOR A POSSIBILIDADE DE DESMISTIFICAÇÃO


Numa SOCIEDADE EM REDE fica cada vez mais difícil manter a ESQUIZOFRENIA SOCIAL. As informações são compartilhadas em tempo real. Cidadãos estão mais próximos da realidade dos fatos e não mais tão submissos a construções de discursos, sejam eles, midiáticos, públicos ou privados. 


Organizações, ou qualquer que seja o segmento da sociedade que se utilize de meios espúrios, não se dão conta que fazem parte de um organismo que se alicerça em novas bases, numa nova configuração ou transição de paradigmas, que estimula a interação e a evolução da cognição social . No caso, as entidades de classe, mais especificamente, sindicatos, mostram com esse posicionamento a clareza de sua identidade. Aproveitam-se das manifestações e da "ingenuidade” dos cidadãos, como manobra de massa para objetivos espúrios. Nos dias de hoje, a imagem anda numa linha tênue com a identidade. Hoje cidadãos comuns são emissores de informação e interagem constantemente o que dá a eles maior possibilidade de se aproximarem da REALIDADE DOS FATOS. QUANTO MENOR A INTERMEDIAÇÃO, MAIOR A POSSIBILIDADE DE DESMISTIFICAÇÃO.

Organizações devem se posicionar de forma ética se quiserem manter credibilidade e confiança junto a seus públicos de interesse. Imagens organizacionais não se sustentam por muito tempo se forem antagônicas as suas identidades.  

PODER e SOBERANIA SOCIAL

Todo regime democrático, qualquer que seja seu sistema, tem como estrutura a constituição. No caso do Brasil, na ”Constituição Cidadã”, está prevista a liberdade de expressão de qualquer segmento que faça parte da sociedade. 

O que vimos, no mês que se passou e no que se inicia, foi a visão da sociedade, no inicio, de uma parte dela mais esclarecida, politizada e organizada, valer-se desse direito que através do Movimento Passe Livre (MPL) conseguiu a redução da tarifa dos transportes públicos.

O PODER e a SOBERANIA dessa MOBILIZAÇÃO SOCIAL se mostrou eficaz e os órgãos governamentais não viram outra possibilidade de acordo senão a redução da tarifa.

A sociedade desde então, percebendo seu poder politico, insurgiu com uma série de manifestações advindas das mais diversas minorias que vêm se organizando a cada dia, entre elas — estudantes, homossexuais, médicos, caminhoneiros, metalúrgicos e outras—, cada qual, com suas reinvindicações específicas.

A reforma politica vem acontecendo e não é através de plebiscito ou referendo —democracia direta, quando o povo decide diretamente cada assunto por votação , que se efetivará o desenvolvimento politico, econômico e social. Ela tem vindo do poder participativo das minorias, ou seja, de baixo para cima, do poder horizontal sobre o vertical, que transbordou daquelas mais politizadas, com senso critico e conhecimento humanístico, denominada por um comentarista  de CLASSE MÉDIA REVOLTOSA SEM FUNDAMENTO DE CAUSA. Como ele disse: "Esses revoltosos de classe média não valem nem vinte centavos".


SOCIEDADE EM REDE

Fica claro que a verdadeira reforma politica vem da liberdade de expressão das massas, ou seja, das minorias organizadas, de um novo poder que toma forma “A sociedade em rede” tão propalada por Manuel Casttels. O desenvolvimento social e econômico tão almejado virá dessa liberdade. Elias Canetti, em seu livro “Massa e Poder”’, descreve as consequências do poder sobre as massas.

A distinção da previsão entre os dois autores se dá no âmbito tecnológico. À época de Canetti, as manifestações das massas acossadas se davam de forma mais violenta por falta de um canal democrático efetivo, como o que existe hoje na era do conhecimento. A tecnologia digital, através das redes sociais tem possibilitado a interação, a troca de informações, sem a intermediação do poder das organizações, sejam elas públicas, privadas e privadas midiáticas (meios de comunicação de massa). 

Vivemos uma transição paradigmática. O cidadão ganhou voz, essa, cada vez mais, estridente. 

A representatividade da grande maioria de nossos políticos há muito nos mostra a verdadeira face da politica atual: a "arte" de governar permite ao dirigente ou governante ter "poder" para realizações hedonistas inerentes a sua idiossincrasia ególatra, em detrimento do bem estar  geral de sua nação.
Referências:
CANETTI, Elias. Massa e Poder. 2º ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. 13º ed. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2010.
 

sábado, 22 de junho de 2013

Continuemos as manifestações, não somos massa de manobra

O discurso da presidente Dilma foi vazio e artificial, muito mal elaborado pelos seus gestores de crise ou comunicação. 

Esteticamente, conforme dito por Fernando Rodriguez, do UOL Noticiasfoi uma gravação realizada da forma mais conservadora possível. Em frente a um fundo de madeira, ela usando um blazer de tom amarelo, lendo no teleprompter”.
Importar médicos, royalties do petróleo para educação, preço justo nos transportes públicos?  Reuniões com lideranças do movimento, com governadores de todo o Brasil?   

Não duvido que a presidente cumpra com os compromissos que assumiu, mas não podem servir  a medidas pontuais, somente para neutralizar a crise e se mostrar como um governo que ouviu a voz da nação e  fez valer a democracia participativa. 

Como qualquer organização, a pública tem como obrigação prestar serviços de qualidade a seus públicos de interesse, no caso com todos aqueles que fazem parte do organismo social. Devemos  pagar impostos para que tenhamos serviços de qualidade a nossa disposição e não o  inchamento deles para suprir o hedonismo ou corrupção do poder público . 

Taxas de impostos exorbitantes para empresas e cidadãos são o que realmente inibem o desenvolvimento econômico e social. Empresários deixam de pagar salários e  benefícios justos aos seus colaboradores, pois essas medidas coíbem a mais valia, que é a razão de existir das organizações privadas, por mais solícitos que sejam às reivindicações de seus colaboradores e públicos de interesse.  

Não nos acomodemos  e nos iludamos caso as reivindicações sejam cumpridas. 
A constituição cidadã é a missão do poder público. No entanto visão nunca existiu. Ela deveria estar focada na consolidação da missão. 
Para conquistar a credibilidade junto à sociedade brasileira o governo precisa demonstrar que tem identidade, o que deve ser, e, não, o que demonstra ser, através da imagem que, no caso de nossa presidente, não passou transparência a sua nação.


O Discurso da presidente Dilma foi um dos assuntos mais discutidos no Twitter. A hashtag #CalaABocaDilma  atingiu o topo do Trending Topics Mundial, entre  os assuntos mais comentados da rede.
Segundo artigo de Marcelo Nakagawa do Estadão  “Quando uma organização tem uma missão, um propósito para existir, fica muito mais fácil definir a visão de futuro e a estratégia para atingir este resultado. Uma missão clara permite a definição de objetivos, indicadores e metas. E não é que os objetivos já estão previstos na Constituição?”


Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:


I)    Construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II) Garantir o desenvolvimento nacional;
III) Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV) Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação


Consolidemos a democracia participativa e reivindiquemos a missão da Constituição Cidadã que nunca saiu do papel. Chega de democracia de aparência. Não é o caso de revogar a constituição, mas fazer valer o que ela propõe. Mas façamos isso de forma estratégica e organizada: com valores, missão, visão e lideranças muito bem definidas. Façamos valer nossos direitos democráticos com inteligência sem violência e depredação. 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O poder vertical perde sua soberania





O poder que a sociedade tem hoje já esta comprovada. Conseguimos mudar, intervir nos desmandos do poder, seja ele público ou privado, mas temos que ficar atentos. 

As manifestações devem continuar sim, mas precisam de liderança, organização, administração, comunicação. 

Foto: O poder vertical perde sua soberania 

O poder que a sociedade tem hoje já esta comprovada. Conseguimos mudar, intervir nos desmandos do poder, seja público ou privado, mas temos que ficar atentos. As manifestações devem continuar sim, mas precisam de liderança, organização, administração, comunicação. O poder da horizontalidade deve ter inteligência, não conseguiremos mudar o mundo num dia. Façamos as coisas estrategicamente. Na ditadura militar os revolucionários só conseguiram derrubar o regime, pois foram estratégicos e organizados. Sitiar o Brasil não vai solucionar o problema, precisamos ter um posicionamento lúcido. Estamos numa nova conjuntura, não é o caso de derrubar o poder. O objetivo está em transformarmos o Brasil numa democracia participativa, onde temos voz e não ficarmos a mercê da representatividade dos políticos. Transformemos o Brasil numa grande ágora. Façamos valer nossos direitos democráticos com inteligência. Comecemos dizendo não a violência e a depredação.
O poder da horizontalidade deve ter inteligência, não conseguiremos mudar o mundo num dia. Façamos as coisas estrategicamente. Na ditadura militar os revolucionários só conseguiram derrubar o regime, pois foram estratégicos e organizados. Sitiar o Brasil não vai solucionar o problema. Precisamos ter um posicionamento lúcido. Estamos numa nova conjuntura, não é o caso de derrubar o poder.

O objetivo está em transformarmos o Brasil numa democracia participativa, onde temos voz e não ficarmos a mercê da representatividade dos políticos. Transformemos o Brasil numa grande ágora. Façamos valer nossos direitos democráticos com inteligência. Comecemos dizendo não a violência e a depredação.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Democracia nas ruas

por Francisco Viana

brasil-protestos-tarifa-transporte-publico-prefeitura-20130618-11-size-598-460x258A voz da sociedade ganha as ruas em todo o País, tendo São Paulo como ponto de partida. Onde estão os assessores de comunicação do poder público? Onde estão os assessorados? Há muito, o País vem transitando de uma mera sociedade de consumo para uma sociedade política, marcada por grandes mobilizações. Será que assessores do setor público e assessorados não vêm tal realidade? Quais os caminhos para sair da crise que ganha proporções nacionais e projeta uma imagem de conflitos sociais no exterior, às vésperas de sediarmos a Copa do Mundo?

Crise é quando ocorre uma reação em cadeia. Exatamente o que estamos assistindo. Começou com uma manifestação em São Paulo e no Rio de Janeiro contra o aumento de passagens de ônibus, logo estendeu-se contra a repressão policial, contra os problemas do transporte público, saúde, educação, corrupção e tudo isso aconteceu de maneira veloz, envolvendo número crescente de cidadãos. São multidões: 100 mil no Rio de Janeiro, cerca de 70 mil em São Paulo e, assim, sucessivamente em grandes e pequenas cidades.

Por quê? Na raiz de tudo, encontra-se uma crise de representação. Criou-se uma espécie de “bala mágica” contemporânea. Ou seja, fala-se em diálogo, em participação, em ouvir a voz das ruas, mas na prática as reformas não saem do papel. Criou-se um diálogo de surdos. Há 25 anos, nascia a Constituição Cidadã e, a seguir, tivemos a primeira eleição presidencial com voto direto. A partir daí, caminhou-se para o esgotamento do modelo político. Não bastava apenas as eleições. Era preciso reformar o País, fazer mudanças.

É o que a sociedade busca hoje nas ruas. Comunicação não é feita apenas de palavras ressonantes. Comunicação é gestão de qualidade. Assim como uma empresa não pode caminhar na contra mão dos clientes, o poder público não pode caminhar na contra mão dos eleitores. Daí, o significado e o alcance da comunicação pública.

A comunidade política não existe. O que existe é a comunidade social que tem na política a sua forma de expressão e representação. Não são mundos isolados, são mundos que se interligam. Ao debruçar-se sobre a Roma antiga, republicana, Maquiavel fala de uma sociedade “tumultuária” e argumenta com clareza: aqueles que condenam os tumultos entre nobres e plebeus censuram a primeira liberdade romana que é a capacidade de se expressar. Roma morreu quando morreu a liberdade “tumultuária”.
A democracia é isso: é choque, é a busca da perfectibilidade ilimitada dos seres humanos e da marcha irrefreável para o progresso. A crise de representação está a exigir um novo ciclo de gestão da sociedade brasileira e, neste, a comunicação passa a ocupar lugar primordial.

A tirania do nosso tempo é fazer das palavras um escudo contra as manifestações da sociedade. A democracia caminha no sentido inverso: fazer a aliança entre informação e ação um alimento da razão para unir governantes e governados. Não é tarefa fácil, mas é o desafio que a juventude dos tempos exige e vai continuar a exigir até que haja identidade entre emissor e receptor, numa nova forma efetiva de comunicação.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações: massa de manobra ou manobra de uma massa politizada?


Não devemos acreditar em massa de manobra e, sim, em manobra de massa. A questão não é partidária, ideológica. É uma manifestação legítima de uma nação que resolveu mostrar o poder da verdadeira democracia. A cidade se transforma numa imensa ágora. Não é possível que mais de 60.000 pessoas só em SP estejam ligadas a questões ideológicas. Talvez, finalmente, tenhamos acordado. O que vejo agora é "o ensaio da lucidez". Todas atitudes de violência, que se mostra na TV, neste momento, podem ser reações orquestradas e devem ser apuradas. Não desistamos, pois mascaras caem com facilidade nos dias de hoje. Imagens, discursos midiáticos não são sinônimos da realidade dos fatos. Jesus Cristo morreu crucificado por "admoestar" o poder, por reivindicar, por mobilizar o povo contra os desmandos do Império Romano. Em Canudos, Antônio Conselheiro e todos os que o seguiam foram massacrados pelo Exército Brasileiro. Justificaram-se, dizendo que os manifestantes se insurgiam contra a República. Euclides da Cunha, republicano ferrenho que esteve à frente dos fatos, indignou-se com a covardia. Não lutavam contra nada, reivindicavam o fim da miséria, da pobreza, queriam somente a consolidação de seus direitos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Video: Saiba porque, neste final de semana, a Globo pouco falou sobre as manifestações: Claudia Riecken x Arnaldo Jabor

Ensaio da lucidez 


Foto
Conceito que vem perdendo o sentido nos dias de hoje:

“O que permite ao leitor consumir a mensagem inocentemente é o fato de ele vê-la como sistema indutivo. Ele considera a significação como um sistema factual de causa e consequência e não como um sistema de construção ideológica". Roland Barthes

Mitólogos do poder público e privado acordem! Os desmistificadores se multiplicam. Senso crítico e
contestações estão na ordem da vez:    

"O mito é uma fala definida mais pela sua intenção do que pela sua literalidade".

“O mito é um sistema de comunicação, uma mensagem. Eis por que não poderia ser um objeto, um conceito ou uma ideia: ele é um modo de significação, uma forma. Logo o mito não se define pelo objeto de sua mensagem, mas sim pela maneira como é proferido". Barthes
  
A interação digital, finalmente, impõe uma mudança de paradigmas. Saímos da acomodação, da democracia  da conveniência, da ociosidade dos anos 90. Bem vindos a revolução democrática do seculo XXI

Ensaio sobre a lucidez


Uma crítica lúcida ao jornalismo de aparências referente aos manifestantes de São Paulo.




Ensaio sobre a cegueira




Referências

BARTHES, Roland. Mitologias. 2º ed. Rio de Janeiro: Difel, 2006. 
SARAMAGO, Jose. Ensaio sobre a lucidez. Sao Paulo. Companhia das letras, 2004.  
SARAMAGO, Jose. Ensaio sobre a cegueira. Sao Paulo. Companhia das letras 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Não é depredação é evolução


O poder público, privado e midiático não são mais soberanos. Não somos mais intermediados, mediados, submissos às construções de discurso. Somos interlocutores de nossa realidade. Ganhamos voz, transformamos nossas indignações em exigências. Chegam de ideologias, falsas retóricas.A democracia se faz presente, pois a liberdade de expressão e de manifestação exige o desenvolvimento social.
Chegou a hora de pararem de se digladiarem, seja governo federal, municipal, estadual e poder privado.


O rótulo democrático perde sua força, a imagem não maquia mais os desmandos do poder. Eis, a sua verdadeira identidade. Hora de deixar de lado o egocentrismo empresarial, governamental. Chega de discursos vazios, da verticalidade do poder, aprendam a interagir com o corpo social do qual fazem parte. Não somos mais escravos de seus desmandos. Hoje temos meios de comunicação que se esquivam de seus interesses. Amadureçam. O conluio se dissipa, pois o poder de entendimento, produção e desmistificação da informação pela sociedade é cada vez mais forte e vem acontecendo numa velocidade maior do que a esperada. A cada dia, ela se aproxima mais dos “fatos”. A comunicação democrática se afasta da submissão: apura, contesta opiniões e comentários. Chega de prepotência.

Integrem-se, mudem o posicionamento. A sociedade clama pelo fim da ambição e disputa de poder em detrimento do povo. Preocupemos-nos com os debates, causas e sintomas e não com a mera veiculação das consequências. A solução está nos fatos não na construção de significados.

Numa nova configuração de valores sociais, organizações devem investir em ações que respeitem a sua nação, e se vejam como parte de um todo e dependente do sistema de compensações.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Só ouvem a nossa voz quando cobramos soluções pelas redes sociais Sky nunca mais


Após um ano de perturbação diária, para não dizer pressão psicológica, a empresa Sky resolveu o meu problema.


Bastou a repercussão, nas redes sociais, do artigo, “Gisele Bündchen não reflete identidade corporativa da Sky”, para que, imediatamente, resolvessem o “mal entendido”.
Sabem como?  Fácil!
Não temos sentimentos, nervos, emoções.

Simplesmente, o débito de R$34,84, com o desconto de 40%, que me cobravam incansavelmente, fora a ameaça de negativação do meu CPF, foi  finalmente entendido pela SKY como indevido.

Recebi pela manhã comunicado por e-mail da empresa com a seguinte afirmação:

“Realizamos o cancelamento da assinatura cadastrada sob o código n° ..........
 Salientamos que a referida assinatura não  possui valores em aberto”.

A empresa percebe o comprometimento de sua imagem e resolve imediatamente o problema?

Sofri durante um ano a pressão e o incomodo diário. 

Como ficam os danos morais? São Ignorados?

Como a mim, a Sky sentiu,  porque hoje temos voz,  temos o “poder”,  possibilitado pelas redes sociais que passaram a ser grandes ágoras digitais, onde realmente podemos pleitear, reivindicar, interagir e nos impor  frente aos abusos, sejam eles de origem publica ou privada.


Ricardo Bressan
      

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gisele Bündchen não reflete identidade corporativa da Sky


A técnica mecânica


A beleza, a imagem de Gisele Bündchen não reflete a identidade corporativa da empresa Sky.

Há um ano mudei de endereço e cancelei a assinatura, mesmo assim, ela continua fazendo exaustivamente uma cobrança de R$39,84. 

Eis as mensagens que todo dia recebo: 

“Caro cliente Sky, evite a negativação do seu CPF. Ligue 10611, digite seu CPF no atendimento eletrônico e consulte nossas condições”.

Eis o que respondi:

“Conforme orientação jurídica não efetuarei o pagamento, tendo em vista que a cobrança é indevida, já cansativamente explicado. O cancelamento foi feito há quase um ano. Peço, gentilmente, que parem de me perturbar, ou tomarei as medidas cabíveis, processando a empresa por danos morais”.
O que me surpreende, pois trabalho com comunicação corporativa, é uma empresa investir massivamente em imagem, sendo que o que passa para seus clientes, não condiz com o que verdadeiramente é.   
     

A técnica e o humanismo


Enquanto a comunicação institucional não for encarada pelas empresas como algo crucial ao andamento dos negócios, não estiver intrínseca a gestão, elas chafurdarão na própria prepotência e arrogância de um modelo atávico que advém da revolução industrial.

Organizações devem primeiramente estar cientes de que, nos dias de hoje, o resultado financeiro é consequência da transparência, do respeito, da valorização do ser humano que está inserido em todos os públicos de interesse da empresa. Eles não são máquinas, nem números. Geram valor ao negocio, quando notam a boa reputação corporativa. Dai a importância da comunicação em transmitir mensagens-chave positivas que sejam reflexo da identidade empresarial.  

As instituições devem ser transparentes com seus stakeholders, usando os canais de comunicação mais eficazes a cada um deles. Valores (ética) são imprescindíveis para o bom resultado de uma empresa. Muitas delas, no entanto, não veem neles importância estratégica para a evolução organizacional e, consequentemente, como valoração da marca, produto ou serviço. Os resultados financeiros advêm da identidade, reputação institucional e não somente da imagem. Eles vêm do comportamento frente aos seus públicos de interesse.

Numa democracia, a instituição que não enxergar a integração entre identidade e imagem está fadada ao fracasso. Não existe ética sem respeito e respeito sem ética.
A comunicação deve ser utilizada na integração entre as áreas organizacionais, na unificação dos valores, missão e visão empresariais. Enquanto, as estratégias comunicacionais forem utilizadas como reflexão de marketing, extremamente comerciais e técnicas e não embasadas num modelo humanístico, serão fracassadas.

A técnica numa linha tênue com a democracia ameaça empresas que se acham inatingíveis. A internet utilizada COM FINS DEMOCRATICOS E HUMANÍSTICOS dá condições à verdadeira liberdade de expressão que repugna veemente as atitudes espúrias do poder, seja ele público, ou privado.

Ricardo Bressan