quinta-feira, 16 de março de 2017

Brasil: Discussões sem conhecimento de causa

Vejo nas mídias sociais discussões em torno das consequências da política de Estado. Ninguém discute as causas que permitem a perpetuação de organizações corruptas, sejam elas públicas ou privadas. Independente de partidos e pessoas praticantes de atos de corrupção na esfera pública, pouco se vê argumentações críticas. O que enxergo são discursos ideológicos vazios, sem conhecimento de causa.


O que permite, por exemplo, as diversas formas de prática do caixa 2, por seres humanos de caráter duvidoso, é um sistema que funciona de forma dúbia.


Sem conhecimento de causa, ou melhor, numa sociedade que oferece uma educação doutrinária, que desenvolve seres autômatos, acríticos ou robotizados, essas discussões são infrutíferas e levam a sublevações, pelas causas erradas. A equivocada interpretacão da realidade faz com que fiquemos presos ao vazio.
Se tivéssemos movimentos organizados e bem direcionados, poderíamos reivindicar pelos motivos certos, sem chover no molhado.


CDQ - Cultura da Dependência Química

Estive na Cracolândia, na Rua Dino Bueno, próxima a Estação da Luz.
Como jornalista, senti a necessidade de mostrar a opinião pública, a verdadeira realidade dessa feira da destruição, que não é mostrada pelos meios de comunicação tradicionais. Lá, a rua é fechada, têm bares e hotéis (para o consumo da droga). E o mais impressionante: barracas com toldos armados, como as feiras tradicionais, onde, ao invés de alimentos, vendem-se pedras de crack, pesadas ao gosto do freguês. É um número incontável de pessoas que transitam por ali, esbarrando-se e comerciando do lado de fora dá feira; alimentos, bebidas alcoólicas e pertences pessoais, quando não mais resta dinheiro. Há os cigarreiros, os cachaceiros que trocam um cigarro ou um gole de cachaça por um trago dá substância. Ouve-se os berros: Cigarreiro! Cachaceiro! Quem tem cinza! (material indispensável para o uso do crack). Lá tudo é moeda de troca: roupas, celulares, notebooks, acessórios.

Caixas de som estridentes recitam os poemas de hip hop de decadência e criminalidade. As pessoas transformam-se em zumbis. E a sociedade vira as costas para isso. Essa minoria sofre de uma doença, considerada assim pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Precisamos apoiar as ONGs e as instituições que atuam como agentes multiplicadoras da reinserção social. Dá para contar nos dedos quantas instituições trabalham para a realização desse ato humanitário. Precisamos disseminar a cultura de recuperação.








No mundo, são diversas as minorias que foram descriminalizadas. Cada uma delas, ao seu tempo, vêm conquistando direitos, cada vez maiores. Nesta masmorra, não há diferenciações culturais, de classes ou minorias. Lá há médicos, dentistas, advogados, professores, jornalistas, trabalhadores de todos os segmentos, grávidas, crianças e adolescentes, homossexuais, transexuais, desempregados, ex- presidiários e outros. Nunca vi tanta diversidade que permanece em constante conflito devido à irracionalidade a que leva o crack. Enfim, todos,que ali estão, têm uma história para contar. Todos são seres humanos como nós.