sexta-feira, 27 de março de 2020

Estão brincando com coisa séria

Vejo nas redes sociais, além das piadinhas, muitos falando em exagero, que não se privarão da liberdade, que sairão as ruas. Enquanto, ainda, tivermos o direito de opção, sim, continuaremos saindo as ruas, mas quando a quarentena passar a ser imposta pelo governo, como é o caso do Veneto, na Itália, uma das regiões mais infectadas pelo coronavírus, talvez essas pessoas passem a acreditar, que não se trata de ficção, como no filme Epidemia, e sim de uma catastrófica realidade.
Neste breve vídeo, Samuel Golin descreve a situação do Veneto, região onde vive.
Em sua opinião, se não forem tomadas as devidas precauções, o Brasil pode, sim, chegar ao nível de gravidade de regiões do mundo, que estão em quarentena, além do colapso do sistema de saúde do país.



quarta-feira, 11 de março de 2020

DRAUZIO E GLOBO: CULTURAS E PERSONALIDADES INCOMPATÍVEIS

Como jornalista e gestor de crise de mídia, há mais de uma década, venho reportar a minha visão em relação a crise com a digníssima e imaculada reputação do Dr. Drauzio Varella. 
Graças aos valores, missão e visão bem definidos e transparentes dessa figura pública, a crise, pelo menos com a sua identidade, foi resolvida. 
Drauzio é um exemplo de ser humano, não só pela projeção de imagem positiva à opinião pública, e sim, porque é tudo o que é projetado na sua essência. Não é só questão de imagem, mas também de identidade.
A sua imagem sem mácula se deve a sua reputação impecavelmente fortalecida pelos seus valores, caracterizados pelo humanismo alteridade, altruísmo e dialogismo para com a sociedade.
O que ficou bem claro, neste caso, foi que a resolução da crise só foi possível, pois a imagem que é projetada condiz com a identidade do médico, ou seja, com aquilo que ele realmente é. 
Sendo assim, por meio de um vídeo, mais de esclarecimento do que de retratação, pelo menos na minha opinião, Drauzio se reparou com a família e com a sociedade, para as quais devia esclarecimento.
No entanto, apesar de o médico, por meio da sua transparência, ter conseguido se explicar e ter tirado seu nome do olho do furacão, a organização para qual ele trabalha, já vem passando por uma crise institucional, já não é de hoje. 
Enquanto, a Rede Globo não entender que a comunicação mercadológica (publicidade e marketing) tem que ser condizente com a comunicação institucional, continuará chafurdando na sua própria negligência e omissão.
O Dr. Drauzio não sabia, mas a equipe de jornalistas e comunicadores por trás dele sim. Eles sabiam, e omitiram. 
Varella é um cidadão e um profissional que serve de exemplo para qualquer indivíduo ou instituição. Já a Globo, não pode dizer o mesmo. Fica complicado um colaborador, com seus valores éticos inabaláveis, continuar trabalhando numa empresa que não segue os mesmos preceitos. Uma organização que não respeita valores e posicionamento ético, dificilmente conseguirá manter um profissional que os tem. 
A lógica é clara, se uma determinada empresa ou instituição tem um posicionamento ético bem definidos, consequentemente só manterá em seu quadro colaboradores que sigam esse posicionamento. 
Fica o exemplo, seja para pessoa física ou instituições, que todos aqueles que prestam algum tipo de serviço a sociedade têm que se precaver no caso de uma possível crise. Esta só será resolvida caso tenham no cerne os valores, missão e visão muito bem definidos e consolidados. 
O paradigma de qualquer indivíduo ou organização deve estar embasado na compensação e recompensa, ou seja, toda compensação deve ser recompensada. Isso é o mínimo que os públicos de interesse exigem pelos serviços prestados.


domingo, 1 de março de 2020

Podemos considerar Bolsonaro e Hitler como figuras análogas?

A comparação que vem sendo feita entre Hitler e Bolsonaro, e que se transformou em meme nas redes sociais, não é um exagero, sátira ou hiperbolização da esquerda, e sim uma comparação adequada. 
O primeiro mesmo que tenha sido muito mais insano, pelo crime que cometeu contra a humanidade, e com toda sua insanidade, não era tão inculto e destituído de inteligência como o segundo. Mesmo com  a diferença, não podemos deixar de considerar alguma semelhança nos discursos desses “lideres” atrozes, que não é mera coincidência, como a destacada abaixo:

“Hoje, os cristãos estão à frente deste país. Prometo que nunca me ligarei a partidos que querem destruir o Cristianismo. Queremos reencher nossa cultura de espirito cristão. Queremos queimar todos os recentes desenvolvimentos imorais na literatura, teatro e imprensa, enfim, queremos queimar o veneno da imoralidade que surgiu em nossa vida e cultura pela abundância liberal do passado.” Adolf Hitler (The Speeches of Adolf Hitler, April 1922 - August 1939. Oxford University Press.)


Para mim, quem continua defendendo uma figura psicótica, como foi a do regime nazista, está sendo complacente com o fascismo, e com a possível instauração de uma ditadura. 

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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

A ESQUERDA HIPERBOLIZADA

É fato que estamos passando por um dos piores momentos da nossa história: esta conjuntura antidemocrática que beira ao facismo. Isto de forma alguma é uma hipérbole, mas a questão levantada nos últimos dias, com relação ao uso de certas fantasias de carnaval, pois elas podem ser consideradas estandartes para o preconceito, é um exagero da esquerda. Não podemos dar munição para os opositores da extrema direita, por meio de um erro crasso.
A festa dos próximos dias deve ser entendida como uma inversão e ironia dos signos nacionais, e não como símbolo de desrespeito aos nossos valores. 


A ironia e a brincadeira carnavalesca com o indígena, por exemplo, devem ser vistas como uma homenagem a nossa ancestralidade, e não como sinal de desrespeito ou bandeira política contra a oposição. 





MANIFESTO DE REPÚDIO


Ter Bolsonaro como governante é uma das maiores afrontas que uma democracia pode suportar. Como podemos aceitar um machista, xenófobo, homofóbico, racista, com todos esses tipos de preconceito arraigados, como presidente da República. 
Nunca na história democrática tivemos um “líder” tão indolente que não respeita, que ataca as pessoas e as instituições sem qualquer limite de moralidade, que transgride os direitos humanos e o Estado de Direito. 

Para mim, quem continua defendendo uma figura psicótica e insana, como foi Hitler - e isso não é uma hiperbolização, e sim uma comparação adequada -, está sendo complacente com o fascismo, e com a possível instauração de uma ditadura. 
Não dá mais para viver na cegueira, a situação não é grave, é desesperadora.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Bolsonaro, o fantoche do marketing político



É disto que os emissores de discursos e mensagens se utilizam: pegam uma coisa vazia e a preenchem, utilizando-se da metalinguagem, criam novos signos que são disparados para a opinião pública. Não é uma questão de ideologia, mas de transmissão de simbolos e significados. A extrema direita conseguiu criar um discurso extremamente eficiente para seus objetivos. Pegaram a imagem de uma figura (Bolsonaro) sem relevância política e a impregnaram de significados persuasivos que a projetou do anonimato. Devido aos diversos golpes que a esquerda vinha tomando, de acordo com os seus supostos envolvimentos com corrupção, ela foi perdendo sua força junto aos escândalos envolvendo algumas empresas privadas, todos os fatos, extremamente, potencializados pela mídia. Ai entra o jogo do poder que se utiliza de estratégias espúrias, porém muito eficazes, para afastar todas os ideais socialistas. Fortalecer fundamentos religiosos foi uma delas. Nada melhor, para uma sociedade, quase que toda cristã, do que um candidato cristão e militar para arrumar a barafunda do país. Após isso, iniciou-se um grande marketing de guerrilha, disseminando nas mídias digitais uma série de informações manipulativas, as famosas fake news, apoiando a ditadura militar, como um regime que propiciou um excelente desenvolvimento econômico de inclusão sem corrupção. Muitos foram ludibriados com essas persuasões e passaram a acreditar neste fantoche da extrema direita. Enfim, formou-se assim uma democracia sem voz, governada por um mandatário também sem voz, conservador, preconceituoso, ignorante, inculto, que se comunica com a sua nação por meio das mídias digitais.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

A filosofia e a sociologia como meios de individuação e transgressão

Como dizia a pensadora e filósofa política Hannah Arendt, vivemos um TOTALITARISMO INVISÍVEL, que, a cada dia, fica mais escancarado, ou melhor, visível, pelo menos, para aqueles que têm senso crítico, visão humanística e dialógica do mundo. Estamos deixando “O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA”, para a prática efetiva dela.
O governo pretende deixar de investir nas cadeiras catedráticas de Filosofia e Sociologia, pois elas formam seres humanos resistentes que adquirem senso de individuação, e contestam a “moral” e os “direitos estabelecidos”. Parece que estamos voltando a época, que aqueles que eram contra o poder vigente era visto como transgressor e subversivo. O que precisamos hoje são de seres humanos mais subversivos e menos subservientes.

O principal objetivo dessa conjuntura é formar seres técnicos e autômatos, que tenham uma visão limitada, ou seja, despojados de senso crítico e desenvolvimento humanista, sendo mais fácil manter a subserviência e a administração do desejo de sublevações.
A antológica visão transgressora e progressista do Jung é bem conveniente para o momento que estamos passando. Ele diz que o inconsciente é um "outro" que se apresenta no decorrer da vida. Reconhecer e dar a palavra a esse outro é individuar-se, não isolar-se. Nesse processo, questões éticas e morais terão de ser enfrentadas, pois, ao entrar no processo, a pessoa deixa de se submeter obrigatoriamente aos ditames sociais, culturais, patrióticos, ou qualquer coisa que possa ser vista como regra moral, desenvolve uma ética própria, que pode ser contrária à moral vigente. 


Por exemplo, uma mulher muçulmana que vive em um ambiente fundamentalista pode querer exercer seu pensamento e pode desenvolver valores próprios quanto ao vestir-se ou ao comportar-se socialmente.
Esse abandono das regras vigentes tem um preço. Algo precisa ser dado em troca, e é nesse lugar que Jung afirma a importância do indivíduo. Só ele cria novos valores, só ele destrói valores ditatoriais que são aceitos por todos.