terça-feira, 12 de março de 2013
segunda-feira, 11 de março de 2013
A era da comoditização informacional
A capacidade de absorção de CO2 e resíduos
sólidos é limitada.
Como o meio ambiente, as organizações não devem ter concepções
deterministas levadas por práticas mecanicistas e burocratizadas que não levam
em conta os pilares ambientais e sociais que a médio e a longo prazo são as
únicas formas de sustentar a estrutura e a estratégia organizacional.
A
identidade visual não é um mero trabalho artístico. Ela deve entronizar os
valores, ética, missão e visão corporativa. Por isso, o motivo de se conhecer a
cultura institucional antes de qualquer processo criativo que envolva a imagem.
O grande equívoco das organizações é a comunicação mercadológica desconectada
da institucional que agrega valor a marca e valoriza suas qualidades intangíveis
humanizando produtos e serviços.
Quais são os valores que os públicos de interesse esperam
das organizações?
Estamos
evoluindo para um processo de descentralização,
da comoditização das informações, que
condiciona, e não determina, o comportamento e maneira de agir da sociedade que incluem Estado, empresas e
pessoas. É uma nova estrutura que a era do conhecimento nos leva a aceitar, ou ficaremos à deriva.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Falar sem mordaças
por Francisco Viana - Jornalista, mestre em Filosofia Política (PUC-SP) e consultor de empresas.
A bloqueira Yoani Sánchez se tornou a grande sensação do momento. Não pelo que disse ou poderia dizer – que vale registrar , não contém muita novidade - , mas pelas manifestações que suscitou. O normal numa democracia, como é o caso do Brasil, seria ela poder falar livremente, participar de debates, expor suas ideias como qualquer outro mortal.Não foi o que aconteceu. Foi impedida por manifestantes, hostilizada e, evidente, esse é um lado velho do Brasil moderno. Fica , porém, a lição. Quanto maior o mistério, tanto maior o interesse. Quanto maior o interesse, mais o menos vira mais e o mais se transforma em crise.
Vejamos, por exemplo, algo que nasceu e floresceu dentro do próprio Estados Unidos: o filme A Hora Mais Escura , de Kathryn Bigelow. É uma denúncia vigorosa contra a tortura, contra a ética perdida na guerra contra o terror, mas que foi absorvida pela sociedade democrática, sem sobressaltos e seguirá o seu curso de questionamento. O filme está em cartaz no Brasil e foi recebido como deveria ser: um exercício de liberdade.
Esse é o erro que se comete sempre que se cruza com opiniões divergentes. Procura-se hostilizá-las, como se fosse “uma traição”, para citar as palavras da própria Yoani, em lugar de absorvê-las, de se procurar entendê-las, ver o que existe de construtivo e o que existe de fantasia. O que existe de fato, o que existe de versão.
O debate e as mudanças são vitais na sociedade. E não pode haver mudança, nem debate se existe cerceamento.
Comunicação é isso: partilhar ideias. O que faz da democracia Americana forte é essa característica: tudo está nas ruas. É assim desde a fundação dos Estados Unidos. Nada foi dado, tudo foi conquistado. A pergunta de fundo que se coloca é como construir uma sociedade democrática e para onde esta sociedade caminhará? Existiram quarto grandes revoluções no mundo. A Inglesa, a Americana, a Francesa e a Russa. Houve diálogo entre elas? Certamente não. Sobreviveu a quinta revolução. A Chinesa. Por que? Está aprendendo a ouvir, a dialogar. Entendeu que em regimes fechados, o custo humano é elevadíssimo. Porque a vida conta pouco, a política ideológica é preponderante.
Yoani Sánchez veio ao Brasil para expor suas ideias e é assim que devia ser acolhida. Tendo a liberdade que é assegurada a todos, venham e pensem como pensar. Democracia é falar com liberdade. Sem mordaças. Pois as mordaças têm caminho conhecido. Cedo ou tarde, vão para a lixeira da história.
segunda-feira, 4 de março de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Cinema e comunicação: Django para gigantes
Transformar em arte o que evidentemente seria violência gratuita não é para qualquer um.
Tarantino é um grande transgressor do cinema contemporâneo.
Quando achamos que não nos surpreenderá, abusando de clichês, ai vem ele, com suas mensagens subliminares que atordoa e nos faz refletir sobre um mundo apático e suas deformações atávicas.
Ou melhor, sem nos encobrir de tristeza, ao contrário, com muita ironia e humor, critica uma sociedade que beira o ridículo. Nos mostra com descontração um mundo que se alicerçou sobre pilares preconceituosos as custas de poder e ambição ilimitadas.
Livre para pensar, livre para sentir, para refletir, livre para se divertir.
Assim é Django livre: pense como quiser, sinta-se como puder e não se esqueça o D é mudo!
por Ricardo BressanAssim é Django livre: pense como quiser, sinta-se como puder e não se esqueça o D é mudo!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
A formação do comunicador

por Francisco Viana
Wilhelm Meister, de Goethe,
ensina: é no mundo, não no segredo da consciência que se decide o destino do Homem.
Ou seja, o Homem se vislumbra pelo conhecimento, pela atitude, pelo gostar de
si mesmo e não apenas pelos bens e títulos que possui. O Homem seria, então,
uma harmonia entre o interior e o exterior, se movendo numa dimensão espiritual
ampla e, ao mesmo, procurando
aperfeiçoar-se, educar-se, movendo-se e cultivando-se. O homem, e assim pensa
Goethe, é o equivalente do mundo. E o comunicador, não seria ele também um
equivalente do mundo?
Essa é a questão: como formar o comunicador? Deixando as
escolas, sobretudo as de comunicação de lado, e pensando na vontade individual,
um passo inicial é jamais ser órfão, independente da idade ou do patamar
conquistado, de uma formação clássica. Ler os clássicos, de Ulysses, de Homero, a
Meister, de Goethe, passando pela Poética, de Aristóteles, Cervantes,
Shakespeare, Victor Hugo e Flaubert, é essencial para se refletir em torno da
sociedade e dos indivíduos. Ou seja, o humano.
Também, não se deve deixar de
lado a genial Jane Eyre, em particular Charlotte Bonté e sua vontade moral, que
condena a tirania das raízes sociais, além, é claro, Daniel Defoe, precursor do
romance individualista com Robinson Crusoé.
A lista é imensa, mas o importante é ter a vontade e determinação de ter
sempre um clássico ao alcance das mãos. Nada como um bom clássico para entender
uma época. Se for a época moderna, não deixe de ler o emocionante Liberdade, de
Jonathan Franzen, a retratar os Estados Unidos dos dias atuais. Um grande
romance do século 21. Certamente, o primeiro.
Também, não se deve esquecer
de mergulhar nas escolas filosóficas – em particular os platônicos, estoicos,
Hegel e Marx - , isto para que se possa
compreender a realidade na sua essência
ou, melhor dizendo, tentar entende-la. O papel dominante do comunicador é
sempre aquele do filosofo político. E o que é a filosofia política senão o
entendimento da grande política, da grande economia, do mundo em transformação
em que estamos vivendo? Por quê? O comunicador aponta caminhos, é o grande
conselheiros das organizações.
Leituras fundamentais, mais
do que básicas, é que irão determinar o futuro do comunicador e do seu trabalho.
Não é aconselhável que tenha um léxico literário e filosófico liliputiano, nem
que se deixe envolver pela prisão de grades invisíveis do dia a dia. Sair desse
labirinto, que se traduz na alegada falta de tempo, exige uma rigorosa e
determinada construção mental para sair do labirinto de escassas referencias, a
começar pelas referencias poéticas. Nesse particular, é valioso ler a poesia de
Ana Cristina César. Que bela artesã dos sentimentos. Outro poeta que deve estar
sempre ao nosso lado é Konstantinos Kaváfis, com sua visão hedonista e sensual
do homem. Mágico. E, por que não, procurar a poesia na música de Caetano, Gil, Chico
Buarque ... no jazz de Armstrong, na ópera de Wagner, nas pinturas e nos companheiros de viagem que estão ao
nosso lado?
A poesia, como o romance e a
música, permite recriar a vida e ver melhor o afago do sol e da luz das noites
de lua nos momentos em que nos sentimos encurralados e sem aparente horizonte
de renascimento. Na vida do comunicador esse tipo de situação é recorrente.
Nutrir-se de bussolas antigas e modernos nos fazem ter confiança em nós mesmo e
superar adversidades. Fugir da decadência, renovar-se pelo aprendizado. Se a
formação é a espinha dorsal, o ar do cotidiano se transforma em permanente
fonte de vida. Por isso, não devemos ler apenas os jornais do dia, mas ampliar
a visão para a música, a moda, os artistas, a gastronomia.
Ler os jornais e revistas
tradicionais brasileiros e o New York
Times e o The Economist, por exemplo. Mas não descurar das editorias de cultura
do Der Spiegel, do The Guardian, Le Monde, Le Monde Diplomatique, El país e
revistas aparentemente prosaica como Vanity Fair, GQ e Rolling Stones. Não é
preciso saber os idiomas, basta recorrer ao tradutor na Internet. Há pouco li
uma excelente entrevista de Bob Dylan na Roling Stones. Ele dizia que admirar é muito mais importante
do que criticar quem quer que seja. Existe pensamento melhor para ser
assimilado por nós comunicadores? Quem não admiramos não deve ser citado, nem
lembrado.
No mais, é ver filmes, sempre
vivos, sempre atuais, sempre antecipando o amanhã. E ter energia para sonhar, fazer girar a roda
do presente, sem esquecer o futuro. A formação do comunicador – como deveria
ser a de qualquer pessoa – avança com a juventude das épocas. Esse é o antidoto
contra a nostalgia, poção mágica para a
eterna juventude. Aliás, como estamos no final do ano, uma sugestão: selecione
uns cinco livros, uns cinco filmes, a músicas ... Leve com vc. E o que mais?
Tomar vinhos fortes e pensar que a formação do comunicador é como o farol na
neblina. Está sempre iluminando novos caminhos. Buscando soluções, o que exige
conhecimento e sensibilidade. Exige sempre
se ampliar como a juventude dos tempos.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Narrar como ética
Na história humana é difícil dissociar a comunicação e suas narrativas de uma série de ritos onde as pessoas institucionalizam e formalizam as suas relações com outras pessoas, organizações dialogam com outras organizações e, de maneira transcendente, o profano fala com o sagrado. Dito de uma outra forma, a comunicação em suas diferentes maneiras e narrativas depende, para se efetivar, do lugar onde se realiza, seja no entorno de uma fogueira, no interior de uma caverna, do ambiente da casa ou do restaurante, das dimensões do espaço de shows ou da amplitude do estádio. A narrativa e sua memória estão ligadas ao lugar, como arquitetura e espaço do rito, como demonstrou mitologicamente o poeta grego Simônides (556 a.C. — 468 a.C) e, na contemporaneidade, os seus esquecimentos e apagamentos são devidos aos não-lugares, como conceituado por Marc Augé¹.
Podemos, ainda, ampliar esta ideia e acrescentar a dependência do que se quer comunicar dos inúmeros formatos das mesas, onde se senta para falar. E, também, pensar que a díade rito-ritual são complementares, sendo que ela conforma e estabelece narrativas embasadas em aspectos históricos, políticos, econômicos, artísticos, tecnológicos e religiosos, entre outros, de cada época, sociedade, empresa ou instituição onde acontecem. Donas de casa, políticos, religiosos, professores, torcedores, amantes, marqueteiros e nerds produzem intencionalmente ou não narrativas alimentadas em mitologias imemoriais ou em totens tecnológicos.
Olimpíadas como mega ritos alimentaram o crescimento do nazismo e a disseminação de suas narrativas, nos anos 1930, e já alimentam a ideia de um Brasil desenvolvido, em 2016. São essas marcações e intenções culturais sobre o que se ritualiza que, no limite, fazem com que uma comunicação entre milhões de pessoas ou entre duas pessoas transcenda de seu pequeno espaço e seja uma conversa para e com toda a humanidade.
Em uma dimensão que passa quase sempre por ritos e suas consequências potenciais - como a comensalidade, a convivência, a consensualidade, a conversão, a conversação, a colaboração, a conspiração, o conflito, o luto... -todo o ato de narrar é um gesto ético. Alberto Manguel lembra que “a maioria de nossas funções humanas é singular: não precisamos de ninguém para respirar, andar, comer ou dormir. Mas precisamos dos outros para falar, para que nos devolvam o que dissemos”². Acrescento ao pensamento de Manguel a esperança de que nessa devolução essencial possamos entender pelas narrativas dos outros a nossa
¹ - AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus, 1994. (Coleção Travessia do Século).
² - MANGUEL, A. A cidade das palavras. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
por Paulo Nassar
diretoria@aberje.com.br
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