segunda-feira, 11 de março de 2013

A era da comoditização informacional


O planeta funciona como um sistema fechado, mas recebe radiações e a forma de suportá-las é finita. 

A capacidade de absorção de CO2 e resíduos sólidos é limitada. 

Como o meio ambiente, as organizações não devem ter concepções deterministas levadas por práticas mecanicistas e burocratizadas que não levam em conta os pilares ambientais e sociais que a médio e a longo prazo são as únicas formas de sustentar a estrutura e a estratégia organizacional. 

A identidade visual não é um mero trabalho artístico. Ela deve entronizar os valores, ética, missão e visão corporativa. Por isso, o motivo de se conhecer a cultura institucional antes de qualquer processo criativo que envolva a imagem. O grande equívoco das organizações é a comunicação mercadológica desconectada da institucional que agrega valor a marca e valoriza suas qualidades intangíveis humanizando produtos e serviços.

Quais são  os valores que os públicos de interesse esperam das organizações?

Estamos evoluindo para um processo  de descentralização, da comoditização das informações,  que condiciona, e não determina, o comportamento e maneira de agir  da sociedade que incluem Estado, empresas e pessoas. É uma nova estrutura que a era do conhecimento  nos leva a aceitar,  ou ficaremos à deriva.  

sexta-feira, 8 de março de 2013

Falar sem mordaças



por Francisco Viana - Jornalista, mestre em Filosofia Política (PUC-SP) e consultor de empresas.


A bloqueira Yoani Sánchez  se tornou a grande sensação do momento. Não pelo que disse ou poderia dizer – que vale registrar , não contém muita novidade - , mas pelas manifestações que suscitou. O normal numa democracia, como é o caso do Brasil, seria ela poder falar livremente, participar de debates, expor suas ideias como qualquer outro mortal.

Não foi o que aconteceu. Foi impedida por manifestantes, hostilizada e, evidente, esse é um lado velho do Brasil moderno. Fica , porém, a lição. Quanto maior o mistério, tanto maior o interesse. Quanto maior o interesse, mais o menos vira mais e o mais se transforma em crise. 
Vejamos, por exemplo, algo que nasceu e floresceu dentro do próprio Estados Unidos: o filme A Hora Mais Escura , de Kathryn Bigelow. É uma denúncia vigorosa contra a tortura, contra a ética perdida na guerra contra o terror, mas que foi absorvida pela sociedade democrática, sem sobressaltos e seguirá o seu curso de questionamento. O filme está em cartaz no Brasil e foi recebido como deveria ser: um exercício de liberdade.

Esse é o erro que se comete sempre que se cruza com opiniões divergentes. Procura-se hostilizá-las, como se fosse “uma traição”, para citar as palavras da própria Yoani, em lugar de absorvê-las, de se procurar entendê-las, ver o que existe de construtivo e o que existe de fantasia. O que existe de fato, o que existe de versão. 

O debate e as mudanças são vitais na sociedade. E não pode haver mudança, nem debate se existe cerceamento.

Comunicação é isso: partilhar ideias. O que faz da democracia Americana forte é essa característica: tudo está nas ruas. É assim desde a fundação dos Estados Unidos. Nada foi dado, tudo foi conquistado. A pergunta de fundo que se coloca é como construir uma sociedade democrática e para onde esta sociedade caminhará? Existiram quarto grandes revoluções no mundo. A Inglesa, a Americana, a Francesa e a Russa. Houve diálogo entre elas? Certamente não. Sobreviveu a quinta revolução. A Chinesa. Por que? Está aprendendo a ouvir, a dialogar. Entendeu que em regimes fechados, o custo humano é elevadíssimo. Porque a vida conta pouco, a política ideológica é preponderante. 

Yoani Sánchez  veio ao Brasil para expor suas ideias e é assim que devia ser acolhida. Tendo a liberdade que é assegurada a todos, venham e pensem como pensar. Democracia é falar com liberdade. Sem mordaças. Pois as mordaças têm caminho conhecido. Cedo ou tarde, vão para a lixeira da história. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Cinema e comunicação: Django para gigantes




Transformar em arte o que evidentemente seria violência gratuita não é para qualquer um.
 
Tarantino é um grande transgressor do cinema contemporâneo.
 
Quando achamos que não nos surpreenderá, abusando de clichês, ai vem ele, com suas mensagens subliminares que atordoa e nos faz refletir sobre um mundo apático e suas deformações atávicas.
 
Foto: Transformar em arte o que evidentemente seria violência gratuita não é para qualquer um. Tarantino é um grande transgressor do cinema contemporâneo. Quando achamos que não nos surpreenderá, abusando de clichês. Ai vem ele, com suas mensagens subliminares que atordoa e nos faz refletir sobre um mundo apático e suas deformações atávicas. O melhor, sem nos encobrir de tristeza, ao contrário, com muita ironia e humor critica uma sociedade que beira o ridículo. Nos mostra com descontração um mundo que construiu-se sobre pilares preconceituosos as custas de poder e ambição ilimitadas. Livre para pensar, livre para sentir, para refletir, livre para se divertir!!! Assim é Django livre: pense como quiser, sinta-se como puder e não se esqueça o D é mudo!!!!Ou melhor, sem nos encobrir de tristeza, ao contrário, com muita ironia e humor, critica uma sociedade que beira o ridículo. Nos mostra com descontração um mundo que se alicerçou sobre pilares preconceituosos as custas de poder e ambição ilimitadas.
 
Livre para pensar, livre para sentir, para refletir, livre para se divertir.

Assim é Django livre: pense como quiser, sinta-se como puder e não se esqueça o D é mudo!
por Ricardo Bressan

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A formação do comunicador


por Francisco Viana

Wilhelm Meister, de Goethe, ensina: é no mundo, não no segredo da consciência que se decide o destino do Homem. Ou seja, o Homem se vislumbra pelo conhecimento, pela atitude, pelo gostar de si mesmo e não apenas pelos bens e títulos que possui. O Homem seria, então, uma harmonia entre o interior e o exterior, se movendo numa dimensão espiritual ampla e, ao mesmo,  procurando aperfeiçoar-se, educar-se, movendo-se e cultivando-se. O homem, e assim pensa Goethe, é o equivalente do mundo. E o comunicador, não seria ele também um equivalente do mundo?

Essa é a questão:  como formar o comunicador? Deixando as escolas, sobretudo as de comunicação de lado, e pensando na vontade individual, um passo inicial é jamais ser órfão, independente da idade ou do patamar conquistado, de uma formação clássica.  Ler os clássicos, de Ulysses, de Homero, a Meister, de Goethe, passando pela Poética, de Aristóteles, Cervantes, Shakespeare, Victor Hugo e Flaubert, é essencial para se refletir em torno da sociedade e dos indivíduos. Ou seja, o humano.

Também, não se deve deixar de lado a genial Jane Eyre, em particular Charlotte Bonté e sua vontade moral, que condena a tirania das raízes sociais, além, é claro, Daniel Defoe, precursor do romance individualista com Robinson Crusoé.  A lista é imensa, mas o importante é ter a vontade e determinação de ter sempre um clássico ao alcance das mãos. Nada como um bom clássico para entender uma época. Se for a época moderna, não deixe de ler o emocionante Liberdade, de Jonathan Franzen, a retratar os Estados Unidos dos dias atuais. Um grande romance do século 21. Certamente, o primeiro.


Também, não se deve esquecer de mergulhar nas escolas filosóficas – em particular os platônicos, estoicos, Hegel e Marx -  , isto para que se possa compreender  a realidade na sua essência ou, melhor dizendo, tentar entende-la. O papel dominante do comunicador é sempre aquele do filosofo político. E o que é a filosofia política senão o entendimento da grande política, da grande economia, do mundo em transformação em que estamos vivendo? Por quê? O comunicador aponta caminhos, é o grande conselheiros das organizações.

Leituras fundamentais, mais do que básicas, é que irão determinar o futuro do comunicador e do seu trabalho. Não é aconselhável que tenha um léxico literário e filosófico liliputiano, nem que se deixe envolver pela prisão de grades invisíveis do dia a dia. Sair desse labirinto, que se traduz na alegada falta de tempo, exige uma rigorosa e determinada construção mental para sair do labirinto de escassas referencias, a começar pelas referencias poéticas. Nesse particular, é valioso ler a poesia de Ana Cristina César. Que bela artesã dos sentimentos. Outro poeta que deve estar sempre ao nosso lado é Konstantinos Kaváfis, com sua visão hedonista e sensual do homem. Mágico. E, por que não, procurar a poesia na música de Caetano, Gil, Chico Buarque ... no jazz de Armstrong, na ópera de Wagner, nas pinturas  e nos companheiros de viagem que estão ao nosso lado?

A poesia, como o romance e a música, permite recriar a vida e ver melhor o afago do sol e da luz das noites de lua nos momentos em que nos sentimos encurralados e sem aparente horizonte de renascimento. Na vida do comunicador esse tipo de situação é recorrente. Nutrir-se de bussolas antigas e modernos nos fazem ter confiança em nós mesmo e superar adversidades. Fugir da decadência, renovar-se pelo aprendizado. Se a formação é a espinha dorsal, o ar do cotidiano se transforma em permanente fonte de vida. Por isso, não devemos ler apenas os jornais do dia, mas ampliar a visão para a música, a moda, os artistas, a gastronomia.


Ler os jornais e revistas tradicionais brasileiros e o  New York Times e o The Economist, por exemplo. Mas não descurar das editorias de cultura do Der Spiegel, do The Guardian, Le Monde, Le Monde Diplomatique, El país e revistas aparentemente prosaica como Vanity Fair, GQ e Rolling Stones. Não é preciso saber os idiomas, basta recorrer ao tradutor na Internet. Há pouco li uma excelente entrevista de Bob Dylan na Roling Stones.  Ele dizia que admirar é muito mais importante do que criticar quem quer que seja. Existe pensamento melhor para ser assimilado por nós comunicadores? Quem não admiramos não deve ser citado, nem lembrado.

No mais, é ver filmes, sempre vivos, sempre atuais, sempre antecipando o amanhã. E  ter energia para sonhar, fazer girar a roda do presente, sem esquecer o futuro. A formação do comunicador – como deveria ser a de qualquer pessoa – avança com a juventude das épocas. Esse é o antidoto contra a nostalgia,  poção mágica para a eterna juventude. Aliás, como estamos no final do ano, uma sugestão: selecione uns cinco livros, uns cinco filmes, a músicas ... Leve com vc. E o que mais? Tomar vinhos fortes e pensar que a formação do comunicador é como o farol na neblina. Está sempre iluminando novos caminhos. Buscando soluções, o que exige conhecimento e sensibilidade. Exige  sempre se ampliar como a juventude dos tempos.   

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Narrar como ética


Na história humana é difícil dissociar a comunicação e suas narrativas de uma série de ritos onde as pessoas institucionalizam e formalizam as suas relações com outras pessoas, organizações dialogam com outras organizações e, de maneira transcendente, o profano fala com o sagrado.  Dito de uma outra forma, a comunicação em suas diferentes maneiras e narrativas depende, para se efetivar, do lugar onde se realiza, seja no entorno de uma fogueira, no interior de uma caverna,  do ambiente da casa ou do restaurante, das dimensões do espaço de shows ou da amplitude do estádio. A narrativa e sua memória estão ligadas ao lugar, como arquitetura e espaço do rito, como demonstrou mitologicamente o poeta grego Simônides (556 a.C. — 468 a.C) e, na contemporaneidade, os seus esquecimentos e apagamentos são devidos aos não-lugares, como conceituado por Marc Augé¹.


Podemos, ainda, ampliar esta ideia e acrescentar a dependência do que se quer comunicar dos inúmeros  formatos das mesas, onde se senta para falar.  E, também, pensar que a díade rito-ritual são complementares, sendo que ela conforma e estabelece narrativas embasadas em aspectos históricos, políticos,  econômicos, artísticos, tecnológicos e religiosos, entre outros, de cada época, sociedade, empresa ou instituição onde acontecem. Donas de casa, políticos, religiosos, professores, torcedores, amantes, marqueteiros e nerds produzem intencionalmente ou não narrativas alimentadas em mitologias imemoriais ou em totens tecnológicos. 

Olimpíadas como mega ritos alimentaram o crescimento do nazismo e a disseminação de suas narrativas, nos anos 1930, e já alimentam a ideia de um Brasil desenvolvido, em 2016. São essas marcações e intenções culturais sobre o que se ritualiza que, no limite, fazem com que uma comunicação entre milhões de pessoas ou entre duas pessoas transcenda de seu pequeno espaço e seja uma conversa para e com toda a humanidade.  

Em uma dimensão que passa quase sempre por ritos e suas consequências potenciais - como a comensalidade, a convivência, a consensualidade, a conversão, a conversação, a colaboração,  a conspiração, o conflito, o luto... -todo o ato de narrar é um gesto ético. Alberto Manguel lembra que “a maioria de nossas funções humanas é singular: não precisamos de ninguém para respirar, andar, comer ou dormir. Mas precisamos dos outros para falar, para que nos devolvam o que dissemos”². Acrescento ao pensamento de Manguel a esperança de que nessa devolução essencial possamos entender pelas narrativas dos outros a nossa 
identidade e os que nos diferencia do mundo.
¹ - AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus, 1994. (Coleção Travessia do Século).
² - MANGUEL, A. A cidade das palavras. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 

por Paulo Nassar

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