quinta-feira, 20 de junho de 2013

Democracia nas ruas

por Francisco Viana

brasil-protestos-tarifa-transporte-publico-prefeitura-20130618-11-size-598-460x258A voz da sociedade ganha as ruas em todo o País, tendo São Paulo como ponto de partida. Onde estão os assessores de comunicação do poder público? Onde estão os assessorados? Há muito, o País vem transitando de uma mera sociedade de consumo para uma sociedade política, marcada por grandes mobilizações. Será que assessores do setor público e assessorados não vêm tal realidade? Quais os caminhos para sair da crise que ganha proporções nacionais e projeta uma imagem de conflitos sociais no exterior, às vésperas de sediarmos a Copa do Mundo?

Crise é quando ocorre uma reação em cadeia. Exatamente o que estamos assistindo. Começou com uma manifestação em São Paulo e no Rio de Janeiro contra o aumento de passagens de ônibus, logo estendeu-se contra a repressão policial, contra os problemas do transporte público, saúde, educação, corrupção e tudo isso aconteceu de maneira veloz, envolvendo número crescente de cidadãos. São multidões: 100 mil no Rio de Janeiro, cerca de 70 mil em São Paulo e, assim, sucessivamente em grandes e pequenas cidades.

Por quê? Na raiz de tudo, encontra-se uma crise de representação. Criou-se uma espécie de “bala mágica” contemporânea. Ou seja, fala-se em diálogo, em participação, em ouvir a voz das ruas, mas na prática as reformas não saem do papel. Criou-se um diálogo de surdos. Há 25 anos, nascia a Constituição Cidadã e, a seguir, tivemos a primeira eleição presidencial com voto direto. A partir daí, caminhou-se para o esgotamento do modelo político. Não bastava apenas as eleições. Era preciso reformar o País, fazer mudanças.

É o que a sociedade busca hoje nas ruas. Comunicação não é feita apenas de palavras ressonantes. Comunicação é gestão de qualidade. Assim como uma empresa não pode caminhar na contra mão dos clientes, o poder público não pode caminhar na contra mão dos eleitores. Daí, o significado e o alcance da comunicação pública.

A comunidade política não existe. O que existe é a comunidade social que tem na política a sua forma de expressão e representação. Não são mundos isolados, são mundos que se interligam. Ao debruçar-se sobre a Roma antiga, republicana, Maquiavel fala de uma sociedade “tumultuária” e argumenta com clareza: aqueles que condenam os tumultos entre nobres e plebeus censuram a primeira liberdade romana que é a capacidade de se expressar. Roma morreu quando morreu a liberdade “tumultuária”.
A democracia é isso: é choque, é a busca da perfectibilidade ilimitada dos seres humanos e da marcha irrefreável para o progresso. A crise de representação está a exigir um novo ciclo de gestão da sociedade brasileira e, neste, a comunicação passa a ocupar lugar primordial.

A tirania do nosso tempo é fazer das palavras um escudo contra as manifestações da sociedade. A democracia caminha no sentido inverso: fazer a aliança entre informação e ação um alimento da razão para unir governantes e governados. Não é tarefa fácil, mas é o desafio que a juventude dos tempos exige e vai continuar a exigir até que haja identidade entre emissor e receptor, numa nova forma efetiva de comunicação.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações: massa de manobra ou manobra de uma massa politizada?


Não devemos acreditar em massa de manobra e, sim, em manobra de massa. A questão não é partidária, ideológica. É uma manifestação legítima de uma nação que resolveu mostrar o poder da verdadeira democracia. A cidade se transforma numa imensa ágora. Não é possível que mais de 60.000 pessoas só em SP estejam ligadas a questões ideológicas. Talvez, finalmente, tenhamos acordado. O que vejo agora é "o ensaio da lucidez". Todas atitudes de violência, que se mostra na TV, neste momento, podem ser reações orquestradas e devem ser apuradas. Não desistamos, pois mascaras caem com facilidade nos dias de hoje. Imagens, discursos midiáticos não são sinônimos da realidade dos fatos. Jesus Cristo morreu crucificado por "admoestar" o poder, por reivindicar, por mobilizar o povo contra os desmandos do Império Romano. Em Canudos, Antônio Conselheiro e todos os que o seguiam foram massacrados pelo Exército Brasileiro. Justificaram-se, dizendo que os manifestantes se insurgiam contra a República. Euclides da Cunha, republicano ferrenho que esteve à frente dos fatos, indignou-se com a covardia. Não lutavam contra nada, reivindicavam o fim da miséria, da pobreza, queriam somente a consolidação de seus direitos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Video: Saiba porque, neste final de semana, a Globo pouco falou sobre as manifestações: Claudia Riecken x Arnaldo Jabor

Ensaio da lucidez 


Foto
Conceito que vem perdendo o sentido nos dias de hoje:

“O que permite ao leitor consumir a mensagem inocentemente é o fato de ele vê-la como sistema indutivo. Ele considera a significação como um sistema factual de causa e consequência e não como um sistema de construção ideológica". Roland Barthes

Mitólogos do poder público e privado acordem! Os desmistificadores se multiplicam. Senso crítico e
contestações estão na ordem da vez:    

"O mito é uma fala definida mais pela sua intenção do que pela sua literalidade".

“O mito é um sistema de comunicação, uma mensagem. Eis por que não poderia ser um objeto, um conceito ou uma ideia: ele é um modo de significação, uma forma. Logo o mito não se define pelo objeto de sua mensagem, mas sim pela maneira como é proferido". Barthes
  
A interação digital, finalmente, impõe uma mudança de paradigmas. Saímos da acomodação, da democracia  da conveniência, da ociosidade dos anos 90. Bem vindos a revolução democrática do seculo XXI

Ensaio sobre a lucidez


Uma crítica lúcida ao jornalismo de aparências referente aos manifestantes de São Paulo.




Ensaio sobre a cegueira




Referências

BARTHES, Roland. Mitologias. 2º ed. Rio de Janeiro: Difel, 2006. 
SARAMAGO, Jose. Ensaio sobre a lucidez. Sao Paulo. Companhia das letras, 2004.  
SARAMAGO, Jose. Ensaio sobre a cegueira. Sao Paulo. Companhia das letras 

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Não é depredação é evolução


O poder público, privado e midiático não são mais soberanos. Não somos mais intermediados, mediados, submissos às construções de discurso. Somos interlocutores de nossa realidade. Ganhamos voz, transformamos nossas indignações em exigências. Chegam de ideologias, falsas retóricas.A democracia se faz presente, pois a liberdade de expressão e de manifestação exige o desenvolvimento social.
Chegou a hora de pararem de se digladiarem, seja governo federal, municipal, estadual e poder privado.


O rótulo democrático perde sua força, a imagem não maquia mais os desmandos do poder. Eis, a sua verdadeira identidade. Hora de deixar de lado o egocentrismo empresarial, governamental. Chega de discursos vazios, da verticalidade do poder, aprendam a interagir com o corpo social do qual fazem parte. Não somos mais escravos de seus desmandos. Hoje temos meios de comunicação que se esquivam de seus interesses. Amadureçam. O conluio se dissipa, pois o poder de entendimento, produção e desmistificação da informação pela sociedade é cada vez mais forte e vem acontecendo numa velocidade maior do que a esperada. A cada dia, ela se aproxima mais dos “fatos”. A comunicação democrática se afasta da submissão: apura, contesta opiniões e comentários. Chega de prepotência.

Integrem-se, mudem o posicionamento. A sociedade clama pelo fim da ambição e disputa de poder em detrimento do povo. Preocupemos-nos com os debates, causas e sintomas e não com a mera veiculação das consequências. A solução está nos fatos não na construção de significados.

Numa nova configuração de valores sociais, organizações devem investir em ações que respeitem a sua nação, e se vejam como parte de um todo e dependente do sistema de compensações.


terça-feira, 21 de maio de 2013

Blá, Blá, Blá institucional? Será?

Em recente artigo, denunciei o comportamento mecânico e determinista com que uma empresa vem tratando seus clientes. No caso, eu fui vitima deste tipo de gestão.
Com a repercussão do texto, através de sua assessoria de imprensa, a organização logo se manifestou e resolveu o "meu problema", a partir do momento que sua imagem passou a ser prejudicada.

No facebook, o dono da agência me disse o seguinte: 

 "Com o esquema de competitividade, montado pelos acionistas em cima de sua força de trabalho, isto de motivação me parece nada mais que blá blá blá bem intencionado, mas irrealista.
Outro dia, uma amiga executiva disse que o presidente da empresa, onde ela trabalha, pediu aos diretores que lhe fizessem críticas. Se animou, disse que tinha algumas e estava pensando em falar. Perguntou o que eu achava. Falei: não seja louca, minha cara, isso é discurso da boca para fora. Mas me diga, alguém falou alguma coisa ? Não, todo mundo ficou quieto, só tinham elogios... Claro, quem quer arriscar seu emprego a troco de blabláblá institucional, quando a real é um comendo o outro, estimulados totalmente pela organização da empresa e seus acionistas?"

Blá, Blá, Blá institucional? Será?


Muitas organizações acreditam, ainda, que a imagem é a "alma do negócio", pois acham que a sociedade, não a tem. Digo no sentido psíquico, moral e intelectual dos seres humanos. Numa democracia às avessas, a imagem é tudo e a identidade é nada.

Foi assim em tempos remotos, sem citar o regime militar, quando a liberdade de expressão era totalmente cerceada. Muitos resistem ao "poder" de liberdade conquistado pela sociedade em rede, principalmente as instituições públicas e privadas quando se sentem ameaçadas.

Isso fica evidente na matéria recente veiculada no Estadão, "Protestos nas redes sociais vão parar na Justiça".

A sociedade hoje tem condições de argumentar e contestar comportamentos espúrios das organizações.

Essas atitudes têm incomodado e, mesmo que lentamente, já se percebe mudanças pontuais advindas de grandes corporações, que vêem o capital humano como primordial para a geração de valor, sejam das marcas, produtos ou serviços. 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Só ouvem a nossa voz quando cobramos soluções pelas redes sociais Sky nunca mais


Após um ano de perturbação diária, para não dizer pressão psicológica, a empresa Sky resolveu o meu problema.


Bastou a repercussão, nas redes sociais, do artigo, “Gisele Bündchen não reflete identidade corporativa da Sky”, para que, imediatamente, resolvessem o “mal entendido”.
Sabem como?  Fácil!
Não temos sentimentos, nervos, emoções.

Simplesmente, o débito de R$34,84, com o desconto de 40%, que me cobravam incansavelmente, fora a ameaça de negativação do meu CPF, foi  finalmente entendido pela SKY como indevido.

Recebi pela manhã comunicado por e-mail da empresa com a seguinte afirmação:

“Realizamos o cancelamento da assinatura cadastrada sob o código n° ..........
 Salientamos que a referida assinatura não  possui valores em aberto”.

A empresa percebe o comprometimento de sua imagem e resolve imediatamente o problema?

Sofri durante um ano a pressão e o incomodo diário. 

Como ficam os danos morais? São Ignorados?

Como a mim, a Sky sentiu,  porque hoje temos voz,  temos o “poder”,  possibilitado pelas redes sociais que passaram a ser grandes ágoras digitais, onde realmente podemos pleitear, reivindicar, interagir e nos impor  frente aos abusos, sejam eles de origem publica ou privada.


Ricardo Bressan
      

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Gisele Bündchen não reflete identidade corporativa da Sky


A técnica mecânica


A beleza, a imagem de Gisele Bündchen não reflete a identidade corporativa da empresa Sky.

Há um ano mudei de endereço e cancelei a assinatura, mesmo assim, ela continua fazendo exaustivamente uma cobrança de R$39,84. 

Eis as mensagens que todo dia recebo: 

“Caro cliente Sky, evite a negativação do seu CPF. Ligue 10611, digite seu CPF no atendimento eletrônico e consulte nossas condições”.

Eis o que respondi:

“Conforme orientação jurídica não efetuarei o pagamento, tendo em vista que a cobrança é indevida, já cansativamente explicado. O cancelamento foi feito há quase um ano. Peço, gentilmente, que parem de me perturbar, ou tomarei as medidas cabíveis, processando a empresa por danos morais”.
O que me surpreende, pois trabalho com comunicação corporativa, é uma empresa investir massivamente em imagem, sendo que o que passa para seus clientes, não condiz com o que verdadeiramente é.   
     

A técnica e o humanismo


Enquanto a comunicação institucional não for encarada pelas empresas como algo crucial ao andamento dos negócios, não estiver intrínseca a gestão, elas chafurdarão na própria prepotência e arrogância de um modelo atávico que advém da revolução industrial.

Organizações devem primeiramente estar cientes de que, nos dias de hoje, o resultado financeiro é consequência da transparência, do respeito, da valorização do ser humano que está inserido em todos os públicos de interesse da empresa. Eles não são máquinas, nem números. Geram valor ao negocio, quando notam a boa reputação corporativa. Dai a importância da comunicação em transmitir mensagens-chave positivas que sejam reflexo da identidade empresarial.  

As instituições devem ser transparentes com seus stakeholders, usando os canais de comunicação mais eficazes a cada um deles. Valores (ética) são imprescindíveis para o bom resultado de uma empresa. Muitas delas, no entanto, não veem neles importância estratégica para a evolução organizacional e, consequentemente, como valoração da marca, produto ou serviço. Os resultados financeiros advêm da identidade, reputação institucional e não somente da imagem. Eles vêm do comportamento frente aos seus públicos de interesse.

Numa democracia, a instituição que não enxergar a integração entre identidade e imagem está fadada ao fracasso. Não existe ética sem respeito e respeito sem ética.
A comunicação deve ser utilizada na integração entre as áreas organizacionais, na unificação dos valores, missão e visão empresariais. Enquanto, as estratégias comunicacionais forem utilizadas como reflexão de marketing, extremamente comerciais e técnicas e não embasadas num modelo humanístico, serão fracassadas.

A técnica numa linha tênue com a democracia ameaça empresas que se acham inatingíveis. A internet utilizada COM FINS DEMOCRATICOS E HUMANÍSTICOS dá condições à verdadeira liberdade de expressão que repugna veemente as atitudes espúrias do poder, seja ele público, ou privado.

Ricardo Bressan