sexta-feira, 14 de junho de 2013
Não é depredação é evolução
O poder público, privado e midiático não são mais soberanos. Não somos mais intermediados, mediados, submissos às construções de discurso. Somos interlocutores de nossa realidade. Ganhamos voz, transformamos nossas indignações em exigências. Chegam de ideologias, falsas retóricas.
O rótulo democrático perde sua força, a imagem não maquia mais os desmandos do poder. Eis, a sua verdadeira identidade. Hora de deixar de lado o egocentrismo empresarial, governamental. Chega de discursos vazios, da verticalidade do poder, aprendam a interagir com o corpo social do qual fazem parte. Não somos mais escravos de seus desmandos. Hoje temos meios de comunicação que se esquivam de seus interesses. Amadureçam. O conluio se dissipa, pois o poder de entendimento, produção e desmistificação da informação pela sociedade é cada vez mais forte e vem acontecendo numa velocidade maior do que a esperada. A cada dia, ela se aproxima mais dos “fatos”. A comunicação democrática se afasta da submissão: apura, contesta opiniões e comentários. Chega de prepotência.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Blá, Blá, Blá institucional? Será?
Com a repercussão do texto, através de sua assessoria de imprensa, a organização logo se manifestou e resolveu o "meu problema", a partir do momento que sua imagem passou a ser prejudicada.
"Com o esquema de competitividade, montado pelos acionistas em cima de sua força de trabalho, isto de motivação me parece nada mais que blá blá blá bem intencionado, mas irrealista.
Outro dia, uma amiga executiva disse que o presidente da empresa, onde ela trabalha, pediu aos diretores que lhe fizessem críticas. Se animou, disse que tinha algumas e estava pensando em falar. Perguntou o que eu achava. Falei: não seja louca, minha cara, isso é discurso da boca para fora. Mas me diga, alguém falou alguma coisa ? Não, todo mundo ficou quieto, só tinham elogios... Claro, quem quer arriscar seu emprego a troco de blabláblá institucional, quando a real é um comendo o outro, estimulados totalmente pela organização da empresa e seus acionistas?"
Outro dia, uma amiga executiva disse que o presidente da empresa, onde ela trabalha, pediu aos diretores que lhe fizessem críticas. Se animou, disse que tinha algumas e estava pensando em falar. Perguntou o que eu achava. Falei: não seja louca, minha cara, isso é discurso da boca para fora. Mas me diga, alguém falou alguma coisa ? Não, todo mundo ficou quieto, só tinham elogios... Claro, quem quer arriscar seu emprego a troco de blabláblá institucional, quando a real é um comendo o outro, estimulados totalmente pela organização da empresa e seus acionistas?"
Blá, Blá, Blá institucional? Será?
Muitas organizações acreditam, ainda, que a imagem é a "alma do negócio", pois acham que a sociedade, não a tem. Digo no sentido psíquico, moral e intelectual dos seres humanos. Numa democracia às avessas, a imagem é tudo e a identidade é nada.
Foi assim em tempos remotos, sem citar o regime militar, quando a liberdade de expressão era totalmente cerceada. Muitos resistem ao "poder" de liberdade conquistado pela sociedade em rede, principalmente as instituições públicas e privadas quando se sentem ameaçadas.
Isso fica evidente na matéria recente veiculada no Estadão, "Protestos nas redes sociais vão parar na Justiça".
A sociedade hoje tem condições de argumentar e contestar comportamentos espúrios das organizações.
Essas atitudes têm incomodado e, mesmo que lentamente, já se percebe mudanças pontuais advindas de grandes corporações, que vêem o capital humano como primordial para a geração de valor, sejam das marcas, produtos ou serviços.
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Ricardo Bressan
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terça-feira, maio 21, 2013
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Só ouvem a nossa voz quando cobramos soluções pelas redes sociais Sky nunca mais
Após um ano de perturbação diária, para não dizer pressão psicológica, a empresa Sky resolveu o meu problema.
Bastou a repercussão, nas redes sociais, do artigo, “Gisele Bündchen não reflete identidade corporativa da Sky”, para que, imediatamente, resolvessem o “mal entendido”.
Sabem como? Fácil!
Bastou a repercussão, nas redes sociais, do artigo, “Gisele Bündchen não reflete identidade corporativa da Sky”, para que, imediatamente, resolvessem o “mal entendido”.Sabem como? Fácil!
Não temos sentimentos, nervos, emoções.
Simplesmente, o débito de R$34,84, com o desconto de 40%, que me cobravam incansavelmente, fora a ameaça de negativação do meu CPF, foi finalmente entendido pela SKY como indevido.
Recebi pela manhã comunicado por e-mail da empresa com a seguinte afirmação:
“Realizamos o cancelamento da assinatura cadastrada sob o código n° ..........
Salientamos que a referida assinatura não possui valores em aberto”.
A empresa percebe o comprometimento de sua imagem e resolve imediatamente o problema?
Sofri durante um ano a pressão e o incomodo diário.
Como ficam os danos morais? São Ignorados?
Como a mim, a Sky sentiu, porque hoje temos voz, temos o “poder”, possibilitado pelas redes sociais que passaram a ser grandes ágoras digitais, onde realmente podemos pleitear, reivindicar, interagir e nos impor frente aos abusos, sejam eles de origem publica ou privada.
Ricardo Bressan
Ricardo Bressan
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Gisele Bündchen não reflete identidade corporativa da Sky
A técnica mecânica
A beleza, a imagem de Gisele Bündchen não reflete a identidade corporativa da empresa Sky.
Há um ano mudei de endereço e cancelei a assinatura, mesmo assim, ela continua fazendo exaustivamente uma cobrança de R$39,84.
Eis as mensagens que todo dia recebo:
“Caro cliente Sky, evite a negativação do seu CPF. Ligue 10611, digite seu CPF no atendimento eletrônico e consulte nossas condições”.
Eis o que respondi:
“Conforme orientação jurídica não efetuarei o pagamento, tendo em vista que a cobrança é indevida, já cansativamente explicado. O cancelamento foi feito há quase um ano. Peço, gentilmente, que parem de me perturbar, ou tomarei as medidas cabíveis, processando a empresa por danos morais”.
O que me surpreende, pois trabalho com comunicação corporativa, é uma empresa investir massivamente em imagem, sendo que o que passa para seus clientes, não condiz com o que verdadeiramente é.
A técnica e o humanismo
Enquanto a comunicação institucional não for encarada pelas empresas como algo crucial ao andamento dos negócios, não estiver intrínseca a gestão, elas chafurdarão na própria prepotência e arrogância de um modelo atávico que advém da revolução industrial.
Organizações devem primeiramente estar cientes de que, nos dias de hoje, o resultado financeiro é consequência da transparência, do respeito, da valorização do ser humano que está inserido em todos os públicos de interesse da empresa. Eles não são máquinas, nem números. Geram valor ao negocio, quando notam a boa reputação corporativa. Dai a importância da comunicação em transmitir mensagens-chave positivas que sejam reflexo da identidade empresarial.
As instituições devem ser transparentes com seus stakeholders, usando os canais de comunicação mais eficazes a cada um deles. Valores (ética) são imprescindíveis para o bom resultado de uma empresa. Muitas delas, no entanto, não veem neles importância estratégica para a evolução organizacional e, consequentemente, como valoração da marca, produto ou serviço. Os resultados financeiros advêm da identidade, reputação institucional e não somente da imagem. Eles vêm do comportamento frente aos seus públicos de interesse.
Numa democracia, a instituição que não enxergar a integração entre identidade e imagem está fadada ao fracasso. Não existe ética sem respeito e respeito sem ética.
A comunicação deve ser utilizada na integração entre as áreas organizacionais, na unificação dos valores, missão e visão empresariais. Enquanto, as estratégias comunicacionais forem utilizadas como reflexão de marketing, extremamente comerciais e técnicas e não embasadas num modelo humanístico, serão fracassadas.
A técnica numa linha tênue com a democracia ameaça empresas que se acham inatingíveis. A internet utilizada COM FINS DEMOCRATICOS E HUMANÍSTICOS dá condições à verdadeira liberdade de expressão que repugna veemente as atitudes espúrias do poder, seja ele público, ou privado.
A técnica numa linha tênue com a democracia ameaça empresas que se acham inatingíveis. A internet utilizada COM FINS DEMOCRATICOS E HUMANÍSTICOS dá condições à verdadeira liberdade de expressão que repugna veemente as atitudes espúrias do poder, seja ele público, ou privado.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O comunicador não briga com o tempo, aprende com ele

“O conhecimento que faz a diferença e impulsiona uma carreira”, tema da palestra do jornalista Francisco Viana, no Congresso Mega Brasil de Comunicação, foi uma imersão à importância da formação humanística do comunicador.
Dentre os diversos aprendizados, duas citações marcantes que contextualizaram o evento:
“A vida é tão breve, o aprendizado tão longo”
“Os homens ocupados são os que mais têm tempo”
O humanismo como processo transformador
Mais do que prática, a arte de comunicar está na técnica e na busca incessante de conhecimento. Sem essas características, ficamos limitados ao simples cumprimento de delegações.
Como comunicadores devemos nos ater, diariamente, a formação humanística. Sem ela, não há dialética. E sem dialética, não há espaço para criatividade, senso crítico e uma visão holística dos fatos, que leva a soluções racionais e a interatividade, com o meio onde atuamos. Nesse tipo de formação a individualidade e o espírito de coletividade se amalgamam.
É comum ouvir pessoas dizendo “não tenho tempo para nada, para estudar, para me dedicar ao lazer, a família e aos esportes”.
Nos séculos XIX/XX o sistema produtivo se baseava na desapropriação do tempo pelo trabalho repetitivo, mecânico. O tempo e o espaço, no entanto, eram bem demarcados.
Havia tempo e lugar para se trabalhar, tempo e lugar para o lazer, tempos e lugares definidos para o que quer que fosse. A pós- modernidade faz agora uma reconfiguração destes conceitos
Como ser humano do século XXI, por muitas vezes, vejo o tempo como inimigo e não como conciliador da vida. O problema, no entanto, não está com o tempo, mas como eu lido com ele.
Os avanços tecnológicos pareciam vir com a promessa de oferecer-nos mais tempo livre, mas o que se vê é exatamente o contrário. Experiências de vida são somadas no espaço presencial (sem tecnologia) e no ciberespaço.
O Homem deste século se perde cada vez mais, lida com o tempo, atrapalha-se ao definir suas prioridades, torna-se superficial em seus conhecimentos em troca de uma boa quantidade deles e acaba por deixar de lado o que sempre fez e fará a diferença na carreira de qualquer profissional: uma cultura que vá além do básico.

Segundo Francisco Viana em relação à carreira jornalística, essa capacidade de ver e analisar o mundo sob diversos olhares é o que vai diferenciar o profissional no mercado. O segredo está, portanto, em se buscar o conhecimento sem nos restringirmos àquilo que, num primeiro momento, parece ser o mais direcionado à nossa carreira de comunicador, pois quem fará este direcionamento será exatamente a bagagem de ideias e cultura que carregaremos nessa caminhada.
por Ricardo Bressan
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Da visão de risco para a de oportunidade

Ao receber a incumbência de escrever este artigo, assomou, viva e clara, a imagem de uma das minhas primeiras intervenções como consultor de sustentabilidade. Já se vão 12 anos.
À época, o termo utilizado para designar a atividade era responsabilidade social. E os líderes de empresas não faziam nenhuma questão de esconder que achavam o tema um assunto menor e sem qualquer conexão com os negócios.
por Ricardo Voltolini
Um deles, presidente de uma corporação multinacional, interrompeu uma palestra que eu ministrava para a alta diretoria e me propôs, um tanto irritado, o que ele definiu como um desafio: “Convença-me de que isso faz bem para o meu negócio ou não temos por que seguir a conversa!”
No início dos anos 2000, ainda se gastava muita energia para explicar os “porquês”. Líderes precisavam ser convencidos. Hoje, vive-se a era dos “comos”. A maioria das empresas realmente sérias já compreende – embora nem sempre consiga medir precisamente – boa parte dos ganhos decorrentes da sustentabilidade. O que mudou em pouco mais de uma década? Cresceu a consciência de que o quadro de esgotamento de recursos naturais e de aquecimento global afeta a perenidade dos negócios. Mas mudou também, ainda que de modo não uniforme, a noção que tratava sustentabilidade como um pedágio contra riscos – em seu lugar emergiu uma outra, baseada na ideia de que, bem cuidado, o conceito representa um vetor de oportunidades.
Pesquisa divulgada em fevereiro último pelo Boston Consulting Group, junto com a MIT Sloan Management Review, confirma essa nova mentalidade. Cerca de 40% dos 2,6 mil executivos entrevistados admitem que a sustentabilidade melhora a reputação da marca e 29% que ela infuencia a inovação de produtos. Ainda segundo o estudo, denominado The Innovation Bottom Line, para 26% dos gestores o conceito favorece a percepção de boa gestão; para 22% reduz custos de energia; e também para 22% aumenta a competitividade. Informação relevante para o que pretende discutir este artigo: metade das empresas mudou o seu modelo de negócios em resposta a oportunidades socioambientais, 20% a mais do que na edição do mesmo estudo em 2012. São cada vez mais claras, portanto, as evidências de que sustentabilidade gera dividendos econômico-financeiros.
Um dos primeiros autores a tratar dos ganhos da sustentabilidade foi Bob Willard, no livro The Sustainability Advantage (New Society Publishers, 2002) Socorri-me dele, algumas vezes, para persuadir os resistentes. Em entrevista à Ideia Sustentável, em 2008, Willard deu números à tal “vantagem.” Em sua opinião, uma grande empresa que investe em sustentabilidade pode obter 33% de ganhos financeiros no curto e médio prazos a partir do aumento da produtividade, das facilidades de financiamento, das receitas e do valor de mercado, da atração e retenção de talentos e da redução de custos de produção, de despesas em sites comerciais e de riscos. Para pequenas e médias empresas, os ganhos chegam a até 68%. Pode-se contestar um ou outro ponto, conforme o enfoque da análise, mas até os mais céticos tendem a concordar com as conclusões de Willard.
Afinal, os relatórios de sustentabilidade estão aí para ratificar o que há muito já se sabe. Itens como redução do uso de energia, insumos e materiais apresentam resultados tangíveis para o caixa. E embora não se disponha de estudos conclusivos sobre reputação, atração e retenção de talentos, profissionais de Comunicação e Recursos Humanos não têm dúvidas de que empresas preocupadas com sustentabilidade são melhor vistas pela sociedade, pelos jovens profissionais e pelos colaboradores, entre outras razões porque são percebidas como mais conectivas, sólidas e prósperas. Claro é que a mudança na direção de um modelo mais sustentável implica, para alguns segmentos, custos iniciais com equipamentos e novas tecnologias. Serão mais competitivas, no entanto, as empresas que tratarem esses custos como investimento em inovação e não despesas operacionais.
Ricardo Voltolini é diretor-presidente da Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade (www.ideiasustentavel.com.br), idealizador da Plataforma Liderança Sustentável e autor do livro “Conversas com Líderes Sustentáveis” (editora SENAC-2011).
quinta-feira, 11 de abril de 2013
A era da comoditização das marcas
Os seres humanos, por muitas vezes, acreditam que o mundo deva se adaptar as suas ideias e vontades, não o contrário. Assim, nos tornamos pessoas limitadas, numa sociedade em constante transformação que não se adaptará as nossas idiossincrasias.
Como nós, as organizações, sejam privadas, públicas, entidades de classe, devem romper com a utopia de que a realidade deva se adaptar as suas ideias e, sim, percorrer o sentido inverso: “fazer a análise da realidade concreta para mudar o curso da história.” Como afirma Francisco Viana em seu livro Comunicação Empresarial de A a Z .
Quais são os valores que os públicos de interesse esperam das organizações?
Estamos evoluindo para um processo de descentralização, da comoditização das informações, dos produtos e serviços (que condiciona e não determina o comportamento e maneira de agir da sociedade) que inclui Estado, empresas e pessoas. É uma nova estrutura que a era do conhecimento nos leva a aceitar, ou ficaremos à deriva.
As condições são inevitáveis para empresas que queiram sobreviver à comunicação transversal proporcionada pelas mídias digitais. Portanto, como descreve Pierre Lévy, em seu livro Cibercultura, a técnica ou tecnologia (no caso, a digital ) condiciona a sociedade, mas não a submete ou a determina em suas ações.
O que é determinante no que se refere às organizações que fazem parte da sociedade, portanto, inseridas no meio social, são as estratégias. Se elas não estiverem alinhadas e em constante mudança frente as técnicas condicionantes da cultura social serão expurgadas, caso mantenham-se burocratizadas.
Vivemos hoje numa sociedade que vem reformulando seus valores, a cultura e a sua maneira de interagir com o mundo. As organizações não devem agir de forma diferente. Devem ter uma administração contingencial, adequada aos valores e a cultura da sociedade. Sendo assim, o que leva as empresas e as marcas ao fracasso é o determinismo e não o condicionamento.
Os referenciais advindos da revolução industrial não se encaixam mais num mundo que exige mudanças imediatas e emergentes. No seu plano fechado, as empresas devem buscar mudanças internas como as reformulações éticas, de valores e as culturais, que interajam com seus públicos de interesse.
1 Jornalista, mestre em Filosofia Política (PUC-SP) e consultor de empresas.
2 LÉVY, Pierre. Cibercultura. 3ºedição. São Paulo: Editora 34. 2010
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