segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Heródoto Barbeiro: "O espírito crítico do brasileiro ainda é pequeno"

"Cabe ao público exigir do veículo de comunicação credibilidade", defende o jornalista
Francisco Viana e Ricardo Bressan*
De São Paulo
O Jornalista Heródoto Barbeiro dispensa apresentações. Ele é uma presença viva e firme na imprensa brasileira.

Nesta entrevista, ele analisa o jornalismo de televisão e afirma que com o advento das mídias digitais, os meios de comunicação eletrônicos tradicionais, não têm mais a soberania sobre a informação, mesmo que, ainda, sejam majoritários como formadores de opinião.

Terra Magazine - As denúncias têm crescido no Brasil. Como repercutem na televisão?

Heródoto Barbeiro - O impacto hoje é menor que há cinco anos. Quando a denúncia chega à televisão, provavelmente, já passou pela internet e por todas as ferramentas da própria internet. Então, raramente alguma notícia é dada com exclusividade na televisão. Mas a própria televisão tem suas ferramentas de comunicação nas redes sociais (facebook, twitter), que vai aquecer o noticiário. Por e-mail as pessoas falam, publicam nos sites. Portanto, a televisão não tem mais aquele monopólio do impacto que tinha há cinco anos, graças ao advento das redes sociais.

As revistas desenvolveram critérios de apuração de exclusividade, sobretudo, nesse campo de denúncias. A televisão não vem fazendo a mesma coisa? Não tem equipes próprias?

HB: Sim, a televisão tem equipes próprias. Mas eu creio que ainda os veículos mais investigativos são da imprensa escrita, como jornais, revistas, etc. Acho que eles têm uma tradição maior de apuração, de investigação e uma quantidade de fontes já consolidadas que, geralmente, os veículos eletrônicos não possuem.    
      
Por que tal particularidade?

HB: A origem está nas próprias características dos veículos. Os veículos eletrônicos de uma maneira geral, isso também inclui aqueles que são propagados via internet, estão muito mais próximos do hard news, mais próximos do cotidiano. Então o que é que sobra para o veículo impresso? Para ele sobra a analise, os artigos, os debates, para ele sobra muita opinião. O que acabou foi o seguinte: "Se o Globo não deu ninguém sabe o que aconteceu". Isso é coisa do passado.

Qual  critério que usa para publicar uma crise? 

HB: Primeiro, procuro apurar devidamente se aquilo que estamos publicando é verdade. A maior pisada na bola que nós jornalistas damos, constantemente, é publicar alguma coisa que não aconteceu. Isso é um ponto. A apuração deve ao menos se aproximar daquilo que acontece, como no caso dos veículos de grande credibilidade no mundo, como, por exemplo, a BBC. Quando o Kadafi morreu, eu estava trabalhando aqui à tarde. Vários sites internacionais, dizendo que ele tinha morrido. A BBC News não publicou. Depois de duas ou três horas, ai sim, apareceu a BBC dizendo que ele estava morto.
Eu conheço um pouco o manual de redação da BBC. Eles não publicam se não tiverem três fontes dizendo que realmente aquele fato aconteceu. Portanto, você tem duas alternativas: ou você cultiva essa confiança do seu público, publica se aquilo realmente é um fato real, ou então, você vai naquela onda, naquela enxurrada de que todos estão falando, só nós que não. O que nós vamos fazer? Vamos falar também. De certa forma, a mídia navega um pouco entre essas duas questões. Agora, eu acho que quem define tudo isso é o público, ou seja, é ele que deve fiscalizar e exigir do veículo de comunicação, credibilidade. Infelizmente, nós por uma questão histórica, não temos ainda essa tradição, essa construção da cidadania, essa formação do espírito crítico, de tirar um determinado veículo de nossa lista se porventura ele não tem credibilidade.   Nós vamos, ainda, muito naquele denuncismo vazio, na celebridade, na personalidade. De atirar pedra num dia e no seguinte nós não falamos nada por que aquele fato não aconteceu.

A que você atribui o fato do brasileiro ainda ser pouco crítico com relação a mídia, apesar de todo o espaço democrático que conquistou?
 
HB: Isso se deve fundamentalmente a nossa baixa escolaridade, ao nosso baixo desenvolvimento cultural e, principalmente, ao fato de que nós não temos uma tradição democrática no nosso país. Em 500 anos de história, efetivamente, tivemos cinqüenta anos de democracia, em duas prestações de 25. Uma que vai de 46 a 64 e outra de 85 pra cá. Democracia você não constrói com duas parcelas de 25. É um processo contínuo. Nas democracias liberais consolidadas o processo vem de alguns séculos. No caso britânico, por exemplo, a revolução gloriosa data do final do século XVII. Não temos, ainda, a formação desse espírito crítico. A mídia, assim como os políticos, assim como outros acontecimentos de nosso país, é o retrato daquilo que a população é. Olhamos para uma Câmara Municipal e dizemos: “Como é que nós elegemos esses caras. Porque são eles que representam, infelizmente, a maneira das pessoas serem”. Nós estamos naquele nível ali da Câmara Municipal, ou da Câmara Federal, ou do Senado. A mídia não é diferente.  
  
Contudo, a mídia é criticada diariamente em palestras, nas mídias sociais, nas entrevistas. Como explicar essa dissintonia: A crítica verbal de um lado e a falta de ação do outro? 

HB: Nós caímos num caso extremamente interessante, que não só se aplica a mídia, mas a outras questões brasileiras. Nós sabemos o que queremos, mas não sabemos como concretizar aquilo que nós queremos. Ninguém quer corrupção, mas ninguém sabe como combatê-la. Ninguém quer o Judiciário comprometido, mas nós não sabemos como desenvolver um Judiciário que não seja comprometido e a mesma coisa com a mídia. Nós a criticamos, mas não sabemos dentro desse mar de opções que hoje nós temos uma quantidade inacreditável de possibilidades. Não somos capazes de selecionar aqueles que não têm credibilidade, para que eles se enfraqueçam. Não! Nós damos Ibope, nós compramos jornal, compramos revistas, nós damos audiência na mídia eletrônica, porque de certa forma ela satisfaz ao meu índice de cidadania, infelizmente.

Esse critério de julgar a mídia se deve mais a um fator de educação, de formação de opinião pública, ou é baseado, primordialmente, no Ibope, no que a população pode querer? 

HB: Há uma simbiose entre aquilo que os donos de veículos de comunicação querem dar e aquilo que a população quer comprar, ver ou assistir. Se pegarmos um desses Realities Shows que estão na moda e olharmos os índices de IBOPE. Eles são altíssimos. Aliás, eles são os programas mais rentáveis da televisão brasileira. Não só vendem o IBOPE, vendem merchandising, vendem um monte de coisas. Eu não sou contra, as pessoas têm o direito de escolher aquilo que elas devem ver.  Os veículos fazem pesquisas qualitativas para saber o que essa população quer.

E o noticiário. Como fica nesse processo?

HB: O noticiário sobrevive de duas formas: ou está ancorado em programas que têm grande audiência, como é o caso do Jornal Nacional, que fica entre duas grandes novelas com boa audiência. Ou são programas sensacionalistas, como esses noticiários de final de tarde. Daqueles que se espreme sai sangue. Falam um monte de bobagem, um monte de coisa, absolutamente, sem nenhuma checagem. E há, ainda, os canais especializados que fazem jornalismo, mas têm pouca audiência. Eu mesmo trabalho num jornal que tem uma audiência diminuta. Porque atinge um determinado grupo de pessoas que são aquelas que estão interessadas em notícia. Isso dentro da pirâmide brasileira. Não estou falando de pirâmide econômica, falo da pirâmide crítica brasileira que, infelizmente, é muito pequena.

Como fica o papel do jornalista entre tais extremos?
 
HB: Eu não sei. Eu nunca fiz um programa desses. Eu fiz a TV Cultura. Fiz rádio, na CBN. Felizmente na Record estou fazendo jornalismo. Eu não, a nossa equipe está fazendo jornalismo. Mas por quê? Porque essa empresa é muito grande e ela tem um braço, que é o braço jornalístico da emissora. Nele, onde estou há oito meses, nós temos falado tudo.

O que significa falar tudo? 

É comentar o que quiser. Quem escolhe o que falar é o jornalista, não o veículo

É isso que seria fazer jornalismo ou teria mais alguma coisa? 

HB: Não, tem muito mais coisas, mas isso é a base. Fazer jornalismo significa entender o seguinte: o jornalista é um ator social, o jornalismo é um espaço para debate. É preciso estimular a formação do espírito crítico das pessoas. O jornalista deve ser absolutamente plural para que todas as pessoas venham a dizer o que elas pensam a respeito de um assunto. E mais do que ser um formador de opinião, o jornalista é um provocador de opinião. Porque opinião as pessoas têm. Elas precisam ser provocadas.

Cite um exemplo? 

HB: Recentemente, li um artigo publicado na BBC Brasil sobre Aquecimento Global. E tinha lá duas linhas, citando o nome de um professor da USP que diz não existir Aquecimento Global e estava escrito: “A mídia brasileira, não dá espaço para nós”. Convidei o professor para vir aqui. Eu o achei extremamente frágil, mas ele tinha o direito, até mesmo pela titulação, de vir aqui e dizer: “Esse negócio de aquecimento global é uma luta entre capitalismo de um lado e o socialismo do outro lado”. Eu nunca tinha ouvido falar isso. Mas para mim, ele tem o direito de dizer, porque isso provoca a reação das pessoas. E essa reação é que é a formação da opinião crítica.

Como é que é seu relacionamento com as assessorias de imprensa nesse contexto que você está falando?

HB: Eu sempre me relacionei bem com as assessorias de imprensa, da seguinte forma: podem mandar toda sugestão de pauta, para eu saber se tem notícia ou não. Se é relevante ou não. Se tem interesse público ou não. Se tiver eu faço. Se não tiver, eu não faço. Porque o interesse privado quando coincide com o interesse público, passa a ser de interesse público.

Essa é a sua definição de notícia? 

HB: É uma das formas. Se for de interesse público é notícia. Eu não posso, por exemplo, fazer uma matéria dizendo assim: Uma grande empresa de automóveis lança num determinado supermercado um saldão que parou a Marginal. E no outro dia eu escrevo: O teto de tal supermercado caiu. Ou seja, eu dou o nome do supermercado quando cai o teto, mas não dou o nome quanto a outro acontecimento relevante, que é uma venda, pois as pessoas podem suspeitar que eu esteja recebendo alguma graninha ou do supermercado ou da montadora de automóvel para dizer o nome da marca. Eu acho que é uma hipocrisia que, infelizmente, nós ainda não ultrapassamos. Estou falando no geral, do jornalismo brasileiro.

Para que o Brasil transite para uma democracia que sai dessas duas prestações de 25 anos e chegue a uma democracia plena, qual seria o referencial nesse campo de mídia, de televisão, seria só a Inglaterra ou teria outros referenciais?

HB: Há referenciais históricos como Inglaterra, EUA, a França, etc. Mas há um referencial agora de ordem tecnológica, que é uma coisa que as pessoas não estão olhando. Eu faço um pequeno trabalho aqui na periferia de São Paulo. O que a molecada mais gosta lá é de uma rádio WEB que nós desenvolvemos. A molecada toda interage, mandando pequenas notícias que são coisas de interesse da comunidade. Coisas que não podiam fazer antes, mas que hoje estão fazendo. Nós estamos deixando de ser apenas os receptores e estamos sendo, também, emissores de notícias. Emissores de comentários, emissores da nossa maneira de ser. E não é só o pessoal que tem seus grandes lap tops não. Lá na Lan house, lá na periferia, o pessoal faz isso. É uma transformação, bem vinda!  De baixo para cima, cavalgando nessa tecnologia.

Além dessa, que outras tendências você vê no caso brasileiro hoje?  

HB: Há um amadurecimento de determinadas camadas da população brasileira, graças à ascensão econômica que está havendo no Brasil, desde o começo do governo Lula para cá. Propiciou as pessoas a entrarem em determinados lugares, onde elas não entravam. Elas começaram ver coisas que elas não sabiam que existiam. Eu me lembro que lá na periferia, a escolinha fazia uma excursão para levar as crianças ao shopping. Elas nunca tinham entrado no shopping. Que dizer, eu não estou dizendo no aspecto consumista. Antes, as crianças não entravam, eram crianças da periferia. Em suma, elas viram que existe outro mundo. E aquilo desperta obviamente o desenvolvimento das pessoas. Isso ajuda, também, a construção dessa sociedade.

Os conselhos de comunicação que os governos estão criando vão evitar a manipulação do noticiário, despertar o espírito crítico? 

HB: Não. Quem vai mudar é a sociedade. Falo da igreja, da paróquia, da sociedade amiga de bairro, do sindicato, da central sindical. Eu estou falando das organizações que a sociedade monta. Não se dá importância à essas pequenas organizações porque no Brasil tudo é centralizado. Nós temos, também, é uma história de achar que o país descentralizou com a República. Na verdade o nosso federalismo, pelo contrário, ele não federalizou coisa nenhuma.   O poder sempre foi central no Brasil e, historicamente, sempre foi unitário e continua sendo. A arrecadação de impostos vai toda para mão do Governo Federal e ele distribui. Quem tem o dinheiro manda! Mas eu acho que a sociedade, como uma neoplasia, está descobrindo pequenos filetes, pelos quais ela circula.

Qual é a mensagem que você dá para quem está iniciando hoje na televisão, para aquele jornalista que está começando nesse mundo da notícia eletrônica?

HB: A minha sugestão, na verdade, é a seguinte: jornalismo é jornalismo, não importa em qual plataforma ele se propaga. O jornalismo de televisão não é diferente do jornalismo de rádio, não é diferente do jornalismo de jornal. Jornalismo é jornalismo. As regras são as mesmas. O interesse público é o mesmo. O critério de avaliação, de relevância é o mesmo. E, principalmente, os parâmetros éticos são os mesmos. Pode-se  dizer: mas tem a tecnicidade de cada um deles. Sim. Mas são coisas que com cursos de final de semana, eu resolvo. Eu não posso entrar numa faculdade de jornalismo e ficar 6 meses aprendendo a lidar com um equipamento. Vou lá ao SESC, num curso de final de semana e aprendo. O que eu preciso discutir? A relevância social do jornalismo. A importância, a contribuição que o jornalismo tem para a democracia. Isso não se discute nas escolas. Elas pegaram o essencial e fizeram isso virar o supérfluo e pegaram o supérfluo e fizeram disso o essencial.

O supérfluo é a coisa técnica?

HB: O supérfluo é o técnico. É você mandar um e-mail, é entrar na internet. Isso eu não posso aprender na faculdade. O que eu tenho que discutir na universidade é o seguinte: Como é que nos ajudamos a construir democracia com notícias corretamente apuradas. Uma coisa que nós não fazemos: não damos direito de resposta. E direito de resposta deveria ser uma questão ética, e não uma questão legal, ou tem que ser os dois simultaneamente.

Em outras palavras, nós estamos muito atrasados?

HB: Nós estamos mudando. Estamos melhor que há 5 anos.

Qual é sua visão de futuro nessa mudança?

HB: Cada vez mais, há possibilidade de receber notícias, de divulgá-las sem passar pelas artérias principais, que são os grandes núcleos de comunicação que existem no país. Nós não dependemos mais deles. Antes se dependia, hoje não se depende mais. Nem língua é mais barreira para se saber coisas. Porque eu não falo alemão, mas se eu souber que tem uma reportagem o programa do computador traduz de uma maneira que eu possa entender. Tudo está fervendo. O caldeirão está fervendo.  
                                   
Ricardo Bressan é jornalista, MBA em gestâo da Comunicação Empresarial pela Aberje, consultor em Comunicação Organizacional  e colunista da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (e-mail: ricamabre@hotmail.com)

Francisco Viana é jornalista, mestre em filosofia política pela PUC-SP, consultor de empresas e autor do livro Hermes, a divina arte da comunicação. É diretor da Consultoria Hermes Comunicação estratégica (e-mail: viana@hermescomunicacao.com.br)


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

6 dicas para mandar bem em conteúdo de marca nas redes sociais

Segundo Gil Giardelli, CEO da Gaia Creative, "tirar terno e gravata" é uma delas. Saiba por quê.

Neymar e Lucas para o Guaraná Antarctica


Guaraná Antarctica: marca foi a brasileira que mais recebeu comentários no Facebook em 2011, segundo o GraphMonitor

Um bom conteúdo de marca é aquele que gera relacionamento, engaja e estimula o diálogo não só com os usuários, mas também entre os usuários. Deve ser simples, relevante, interessante e natural, além de colaborar para a construção da identidade da marca e de seu universo.
Não existem fórmulas - até porque uma marca não é igual a outra -, mas seguir alguns passos pode ajudar no momento de definir uma linha editorial nas redes sociais. Um deles, de acordo com Gil Giardelli, CEO da Gaia Creative, é "tirar terno e gravata". Entenda abaixo por que isso é importante e veja outras dicas. 
1. Participe do churrasco
O ambiente nas redes sociais é feito de pessoas, que por sua vez, gostam de falar com outras pessoas. As marcas precisam ser mais humanas para entrar na conversa. Sair um pouco da linha racional e entrar na direção emocional pode facilitar o envolvimento.
"A maioria das grandes empresas chega nas mídias sociais de terno e gravata, mas lá está todo mundo de chinelo, no papo espontâneo de um grande churrasco", exemplifica Giardelli.
2. Defina uma linha editorial
Pesque onde os peixes estão. Avalie em que redes sociais é importante estar e de que forma elas se tornam relevantes ao seu negócio. A partir daí, saiba o que faz parte do universo de seus consumidores e não se prenda aos produtos da marca.
"A BMW Brasil, por exemplo, não fala só de carros. Fala de tudo que está em volta dela. Mini Cooper fala de arte urbana, porque é relevante para quem gosta da marca", explica Giardelli.
Uma companhia aérea, além de divulgar suas promoções, pode dar desde dicas de viagens, hotéis e eventos culturais de destinos turísticos até sugestões de como organizar a mala.
Seu produto é uma cerveja? O carnaval está aí. Dê dicas de como manter-se hidratado e de roupas confortáveis para a folia.
3. Invista em experiências de longo prazo
Engaje seus fãs em diálogos duradouros e que gerem um relacionamento. Traga assuntos cotidianos e de interesse de seu público para perto da marca e gere conteúdo a partir disso.
Trabalhe com plataformas diferentes e integre o que for possível. Uma campanha publicitária veiculada na TV pode gerar uma interação bacana no Facebook. Uma promoção no Facebook pode ser divulgada no Twitter e trazer usuários de lá.
4. Admita que errou
"Talvez admitir um erro e pedir desculpas seja muito mais eficiente e sincero do que fazer de conta que nada aconteceu ou tentar abafar um problema de um consumidor", diz Giardelli.
Agir com transparência demonstra credibilidade e respeito pelos consumidores. Na internet, uma pisada na bola pode fazer desmoronar todo o trabalho de anos de construção de marca.
Nos Estados Unidos, a marca Domino’s Pizza assumiu publicamente, por meio de uma campanha, a falta de qualidade de seu produto. Mesmo sendo arriscada, a atitude mostrou-se transparente e contribuiu para melhorar os serviços da empresa.
5. Não transforme seu perfil em SAC
"Não ache que seu Twitter, seu Facebook ou seu blog vai virar um SAC", diz o CEO da Gaia Creative. Usar as redes sociais para resolver alguns problemas de consumidores faz parte da comunicação e é algo que não deve ser deixado de lado, mas não limite seus perfis a essa função. Além de desperdiçar um espaço valioso, esse comportamento torna o ambiente chato, desinteressante e afasta os usuários.
6. Sorria, mesmo sem estar sendo filmado
Humor bem feito é muito eficiente. Haja com naturalidade e contribua para melhorar o cotidiano de quem acompanha os passos da marca, seja no Twitter, no Facebook ou em outras redes sociais. Dê liberdade para a interação.
Não falar mal de concorrentes faz parte disso. Ninguém segue uma marca para ouvir críticas a concorrentes. Use os canais online para manter seu consumidor informado e inspirá-lo com assuntos que podem ser de seu interesse.

Por que a Fuji não teve o mesmo final que a Kodak

Fujufilm


                           Empresa japonesa lançou até cosmético para fugir do mercado de fotografia

Durante muitos anos, a Kodak e a Fujifilm disputaram o mercado mundial de fotografia palmo-a-palmo. A rixa, no entanto, diminuiu quando as duas companhias perceberam que o negócio de filmes fotográficos já não era mais tão atraente. Apesar da mesma percepção, as rivais optaram por trilhar caminhos diferentes e o veredito de quem fez a escolha certa saiu nesta semana.

A Kodak precisou pedir concordata para reestruturar seus negócios nos Estados Unidos. A companhia precisa de quase 1 bilhão de dólares para se reerguer. Já a Fujifilm planeja somar uma receita de cerca de 30 bilhões de dólares neste ano e aumentar seu lucro em mais de 30%.

O sucesso da companhia japonesa, no entanto, foi traçado muitos anos atrás, quando preferiu buscar alternativas antes de sucumbir em mercado decadente – ao contrário da sua rival, que sempre mostrou uma confiança excessiva no mercado de filmes fotográficos, ignorou a força das máquinas digitais (que ela mesma inventou) e nunca imaginou enfrentar a atual crise em que está envolvida agora.

Veja, a seguir, as principais razões que garantiram o sucesso da Fujifilm:

Não esperou o barco afundar

Diferente da Kodak, a Fujifilm começou a deixar o mercado de fotografia de lado muito antes dele se tornar obsoleto. Mesmo com a chegada da fotografia digital, a empresa decidiu não apostar todas as suas fichas em um único negócio e começou então a diversificar sua receita. Hoje, apenas 1% do faturamento da Fujifilm vem do segmento de fotografia.

Dentre as apostas da companhia, estão os segmentos de telas de LCD para televisores, computadores e outros aparelhos eletrônicos, de equipamentos médicos, medicamentos e até cosméticos. 
Aproveitou o conhecimento que já possuía
Para desenvolver filmes fotográficos, a Fujifilm precisava lidar uma diversidade de produtos químicos. Com bastante conhecimento nessa área, a companhia decidiu usar a experiência e passou a desenvolver outros produtos que levassem os mesmos componentes químicos que ela já sabia manusear. Recentemente, a companhia lançou um produto de beleza que usa o mesmo componente dos filmes fotográficos, por exemplo.
Cortou custos
Para chegar à posição que está hoje, a Fujifilm precisou de muito planejamento e cortes de custo. No ano 2000, a companhia anunciou uma redução de gastos de mais de 2,5 bilhões de dólares. A decisão visava reestruturar os negócios da empresa. Na mesma época, a Fuji reduziu o número de funcionários para voltar à rentabilidade.  
Soube investir
Como decidiu apostar em novos negócios, a Fujifilm não dependeu apenas do crescimento orgânico para avançar no mercado. Desde o ano 2000, a companhia já investiu mais de 8 bilhões de dólares em aquisições. A mais recente foi anunciada no final do ano passado, quando a empresa japonesa comprou, por  1 bilhão de dólares, a SonoSite, fabricante americana de equipamentos médicos. 

Por que Jack Sparrow poderia ser um bom gestor de empresas


Para o americano Chris Devore, as empresas devem ser como navios-piratas: não podem perder o gosto pela aventura – ou vão naufragar


Jack Sparrow


Você entregaria o comando de uma empresa para o tresloucado Capitão Jack Sparrow, o personagem vivido por Johnny Depp na saga Piratas do Caribe? Ou, pelo menos, o aceitaria como chefe? Se você respondeu "não", pense de novo. Talvez Sparrow e os piratas de verdade tenham mais a ensinar sobre gestão, do que revelam os mapas de seus tesouros escondidos.

Pelo menos, é o que defende Chris Devore, um dos fundadores da Founders Co-op e sócio de diversas empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Segundo Devore, manter um bando de marujos potencialmente desordeiros em um navio por meses a fio, fazendo-os trabalhar em ordem por um mesmo objetivo – e ter lucro com isso – não é trivial.
Por isso mesmo, entender o que motivava os piratas a seguir seu capitão até o fim do mundo pode ensinar muito para as empresas sobre como manter equipes motivadas e gerando resultados.
Veja, a seguir, algumas conclusões de Devore:
1. Nós contra o mundo

Imagine um bando de piratas em alto-mar, sem nenhuma terra à vista e com os víveres contados. Em certa medida, é o mesmo que gestores enfrentam todo o dia, quando iniciam um projeto: recursos contados e uma meta distante. Para Devore, a lição é clara: evite que a equipe se sinta confortável. Nada une mais as pessoas do que a sensação de que estão por sua própria conta, e de que os resultados não são bons o bastante para ninguém relaxar.
2. Mantenha todos de olho no tesouro
É claro que os piratas só aceitavam isso porque tinham uma meta clara: enriquecer saqueando e descobrindo tesouros. A ordem no navio era mantida, em parte, porque ninguém queria ser jogado aos tubarões e deixar que os outros seguissem rumo ao ouro. A lição: para mobilizar as pessoas, é preciso acenar com metas claras que, se atingidas, vão beneficiar a todos.
3. Não permita que a ambição se volte para dentro do navio
Alguns piratas preferiam roubar seus companheiros de viagem a se contentar com o seu quinhão no butim. O paralelo disso nas empresas, segundo Devore, ocorre em duas situações: quando as metas foram cumpridas e não há nada de desafiador no horizonte, ou quando simplesmente a empresa as perde de vista. Nestes momentos, alguns preferem cobiçar o cargo e os bônus dos colegas a fazer o seu trabalho. Um desperdício de energia para toda a equipe.
4. Mantenha o espírito de aventura
Pirata que é pirata não se contenta com um único baú de moedas de ouro. Pirata por vocação busca não só o tesouro, mas também a aventura. E é assim que as empresas devem se comportar, segundo Devore. Uma vez batida uma meta ou entregue um projeto, é preciso distribuir os ganhos e... partir para o próximo desafio. Só assim a equipe não vai se desmobilizar e começar a se embriagar de rum no tombadilho, enquanto o navio corre sem rumo.

Comercial vira febre, inspira marcas e traz de volta "Luiza, que está no Canadá"

Empresas aproveitam propaganda que virou meme para emplacar promoções nas redes sociais

Em menos de uma semana, Luiza Rabello, de 17 anos, estará de volta ao Brasil depois de visitar o Canadá para um intercâmbio. A paraibana antecipará sua volta ao país depois que um comercial protagonizado por seu pai, o colunista social Gerardo Rabello, entrou para os trending topics do Twitter e tornou a garota uma celebridade nacional.

No filme, Rabello aparece sentado na sala de um dos apartamentos do novo projeto da Construtora Aguazul, em João Pessoa, onde fala das características e vantagens do empreendimento.

Em determinado momento, o colunista diz que fez questão de reunir todos os familiares para recomendar o imóvel, e dispara a pérola "menos Luiza, que está no Canadá".

Em poucos minutos, o filme virou febre e a hashtag #LuizaEstanoCanada foi parar entre os assuntos mais comentados do Twitter. Outros termos ainda, como "Luiza", e "Canadá", associados ao comercial, também figuram no ranking. No Facebook, brincadeiras pipocam de minuto em minuto.

Com a dimensão do meme, várias outras marcas resolveram embarcar na brincadeira e aproveitaram para divulgar suas promoções. O site Decolar, por exemplo, tuitou "Que tal visitar a Luíza que está no Canadá? Aproveite a oferta do Decolar.com".

Ronaldo, garoto-propaganda da Claro, foi outro: "Tá todo mundo participando do Desafio Claro. Menos Luisa, que está no Canadá!".

Magazine Luiza, talvez uma das mais beneficiadas pela associação com o nome da garota, brincou: "Gente, só p/ esclarecer... Estão falando q a Luiza está no Canadá, mas eu sou a Lu do @magazineluiza e continuo aqui bem pertinho de vcs! ;)"




Fonte: Revista Exame





Kopenhagen reposiciona marca e reformula embalagens

Sacolas Kopenhagen
Kopenhagem inicia 2012 com uma nova proposta de layout para as sacolas e caixas da marca.
Os modelos possuem um visual inspirado na flor do cacau em união com a letra “K”, que passará a ser estampado em todas as embalagens e materiais de comunicação da empresa a partir deste mês.
O novo padrão gráfico contempla as sacolas de papel em diferentes tamanhos, as caixas de bombons e as presenteáveis. A apresentação das embalagens da Kopenhagen pretende competir com a de produtos como perfumes e joias, agregando valor às peças.
O design foi desenvolvido pela agência Antilhas e as atuais embalagens já estão presentes em todas as 280 lojas da rede pelo Brasil. 

Marcas investem no capitalismo consciente

Segundo estudo, as empresas da bolsa de Nova York que seguem os princípios geram nove vezes mais lucro que as tradicionais




Está emergindo uma nova forma de gestão nas empresas, o capitalismo consciente. De acordo com o modelo posto em prática pela Container Store e pela Whole Foods, as marcas devem ter um propósito, uma cultura concreta, liderança consciente e serem orientadas para os stakeholders. É pensar e olhar o negócio de forma mais ampla.

Segundo estudo da Harvard Business Review, as empresas listadas na bolsa de Nova York que seguem os princípios do capitalismo consciente geram nove vezes mais lucro que as tradicionais. Para a Whole Foods, o propósito da sua marca é muito maior que sua missão. “Queremos mudar a forma como o mundo come e promover a saúde”. Afirma Walter Robb (foto), CEO do Whole Foods. “Queremos mudar o modelo de agrícola para construir um mundo sustentável”.

Os desejos de Walter Robb não ficam no sonho. O propósito de marca não pode ser apenas colocado no papel. Ele deve fazer parte do plano de ação das empresas. Na Whole Foods há uma série de projetos realizados diariamente para atingir o seu propósito. No supermercado, colocar o funcionário em primeiro plano dá resultados transformando em paixão a ponto de um açougueiro tatuar os cortes de carne e suas ferramentas de trabalho em seu corpo. “A empresa que dá valor ao colaborador é a que gera mais valor”, afirma Robb.

O capitalismo consciente vai de encontro ao pensamento de Milton Friedman, cuja teoria pressupõe que a empresa deve ser orientada para deixar o acionista feliz. “Esse modelo não funciona mais”, ressalta Kip Tindell, Chairman e CEO da Container Store. “A empresa que faz o funcionário feliz deixa o cliente feliz. Se eles estiverem felizes, os acionistas estarão”, garante. “Capitalismo consciente pode mudar o mundo”.