sexta-feira, 17 de julho de 2015

Verdade absoluta?


"VERDADE ABSOLUTA" é uma comodidade muito rara e perigosa no contexto do jornalismo profissional." Hunter S. Thompson 

Identificar-se como jornalista altera ainda mais a realidade dos fatos, ou melhor, dificulta uma maior proximidade com a VERDADEIRA realidade dos fatos, segundo o "jornalismo gonzo", estilo concebido e defendido pelo falecido jornalista Hunter S. Thompson. 
Fui a uma excursão de bugs e quadriciclos à região de Cumayasa, que fica entre as cidades de San Pedro de Macorís e La Romana, na República Dominicana, e vi como funciona a metafísica e a filosofia capital - nenhuma novidade: o óbvio - que resume a essência egoísta da humanidade: turistas fascinados pela paisagem exótica da falácia capitalista. Acompanhado de uma mínima lucidez, percebia-se a devastação das plantações executadas por retroescavadeiras, em detrimento da agricultura familiar, que sustentava aquela comunidade. 

Image result for grupo piñeroO "trabalho eficaz" do Grupo Piñero, presente em diversos países de língua espanhola, aqui na região, executa essa destruição para a construção de redes hoteleiras e condomínios. A barbárie perpetrada pelas industriais e pelo agronegócio por meio das construções de mensagens e discursos mercadológicos consolidam o condicionamento, a cegueira, a falta de alteridade e de altruísmo dos indivíduos. Conversei com Jocelyn, 23, guia do passeio. Ele me disse que a maioria desse povo ficou sem condições de trabalho por não conhecer outras línguas, indispensáveis para interagir com os turistas. Enfim, a economia da República Dominicana depende, quase exclusivamente, da produção e exportação de açúcar entregue nas mãos dos latifundiários. Além da cana, também cultivam café, algodão, banana, abacaxi, fumo, arroz, feijão, coco, cacau, mandioca, milho e tabaco, o resto está entregue nas mãos dos cartéis: construtoras e redes hoteleiras. ‪#‎alteridade‬ ‪#‎altruismo‬

A melhor forma de conviver com o capital é se desprendendo dele


A obsessão e a compulsão do ser humano pelo acúmulo e aquisição de bens materiais o impede de "SER". Se utilizasse o valor de troca ($) para usufruir das abstrações da vida, não potencializaria a sua estupidez, e sim, a riqueza da sua alma. A troca espiritual, emocional e a humanística são as melhores e as maiores riquezas que os seres humanos podem ter. Por meio delas, nos tornamos menos egoístas e avarentos. Investir em cultura e conhecimento diminuiria a estupidez humana, concomitantemente com sua avidez condicionada pelo consumo. Se assim fosse, o "SER" amenizaria o "MUNDO CAPITAL", que vai ser sempre de natureza egoísta e não altruísta. Faz parte da sua memética, já consolidada. Cabe a nós, como indivíduos, nos modificarmos, pois o capital gira em torno de nós, e não nós em torno dele. Não temos como controlar o que é incontrolável. Temos como administrar o que é administrável. Temos como viver e não sobreviver. E não falo de uma "sobrevida capital", mas de uma vida dialógica e humanística, que assimile valores por meio de intercâmbios culturais e não somente valores materiais. Somos técnicos demais, humanos de menos, ou seja, autômatos por natureza.

A Verdade por trás do turismo estereotipado

Eu, em minha primeira vez, na República Dominicana, abstenho-me de falar dos aspectos negativos deste país, que em poucas palavras se resume à especulação dos grandes cartéis imobiliários e construtoras (as redes hoteleiras, para ser mais específico) que consomem cada peso e cada dólar dos "turistas" habituados à CEGUEIRA PSICOSSOCIAL. Falemos do VERDADEIRO TURISMO, com o qual não estamos acostumados.

No mar do Caribe há muito mais a ser explorado e admirado do que suas lindas águas azuis, fauna e flora, e belas fotos que retratem tudo a esmo. Conhecemos D.Maria que vive com filhos, sobrinhos, netos e mais, às margens da mata virgem de um rio. Ficamos fascinados com a riqueza de espírito e a simplicidade dessa senhora e seus familiares, desconectados deste MUNDO PADRONIZADO. Não vivem a pobreza, vivem num MUNDO À PARTE onde não saberíamos viver, devido à nossa natureza egoísta. Na maioria das vezes, confundimos miséria com simplicidade, pois nossos espíritos e visões são condicionados e corrompidos pelas futilidades atávicas da exterioridade autômata de um MUNDO FALACIOSO. Outro casal, que nos acompanhava, estereótipo do turista, ou seja, do TURISMO COMUM, estavam cegos à beleza que os circundava. Não assimilavam, não eram dialógicos, e muito menos humanistas com a cultura do povo com o qual "interagiam". Nossas máquinas fotográficas registraram o mesmo momento, sob ópticas diferentes.

O valor da interação x a escravidão da vontade própria


"Entenda-se por interação algo totalmente distinto de controle. Controlar é a tentativa de fazer pender para o domínio da vontade pessoal, enquanto que interagir é entregar o mando a outra vontade que não a sua. Em vez de nos ameaçar ou fazer com que nos percamos, a interação nos traz o encontro até nós." Nilton Bonder


A viagem: diversidade do verdadeiro turismo

O verdadeiro turismo, não é formado apenas por registros fotográficos - pela arte concreta e estática - mas, também, pelo diálogo com os povos. Ele não é análogo à rotina costumeira do turismo comum, que desdenha o enriquecimento do indivíduo proporcionado pela historicidade e pelo conhecimento humanístico de uma peregrinação. O turismo para turistas é estrategicamente mapeado, ou seja, repleto de lugares e hábitos comuns, que desdenham a essência e a complexidade cultural de uma determinada região. Nos acostumamos com o costumeiro, e esquecemos que podemos viver a complexidade de um mundo a parte, assimilando e fortalecendo nossas identidades por meio do "ócio criativo".

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Valores adquiridos pela convergência cultural

Os valores da humanidade só serão enriquecidos, modificados e entendidos, se invertidos pela inter-relação impactante com o outro, assimilando seus posicionamentos, ensinamentos, entendendo sua história, seus costumes culturais como diferenças, e não como divergências (por mais dominadoras e imperialistas que sejam, as culturas de algumas nações, não devemos ser intolerantes, e sim resilientes). Só assim, nos modificaremos; sendo tolerantes, por meio de novos atributos, adquiridos pelo entendimento e pela convergência cultural.

Interação x isolamento

Não temos controle sobre o futuro, quanto mais tentamos controlá-lo por meio de decisões e ações isoladas e ególatras, mais ele se desgoverna. As mudanças salutares e o amadurecimento se faz por meio das interações e não de resoluções isoladas. Esta falta de entendimento, nos faz sair dos trilhos. Uma vez descarrilhado, o futuro não é incerto, é desastroso.